Governos vão ter que pensar um novo modelo econômico; ouça professor
da Folha Online
Em mais um dia de turbulência nos mercados mundiais, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabou 10,19% nesta manhã e suspendeu as operações pela quarta vez em menos de 15 dias. A reação pessimista se dá por conta da divulgação dos números negativos de vários bancos, além da expectativa dos mercados sobre os resultados financeiros das montadoras nos Estados Unidos.
Adalto Corrêa, professor de economia e diretor de pós-graduação e pesquisa da Unimonte (Centro Universitário Monte Serrat), diz que a queda na Bolsa brasileira é motivada "simplesmente por puro desespero".
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O economista explica que quando os dados finais de novos segmentos são divulgados e os números não são favoráveis, percebe-se uma reação negativa dos mercados, com investidores vendendo papéis para tentar reduzir suas perdas.
"Os indicadores internacionais estão negativos, e a cada momento que nós pensamos que essa crise pode arrefecer e os valores das ações voltarão a um patamar lógico, percebemos uma nova queda", afirma Corrêa.
De acordo com o professor, a perspectiva de retomada do mercado está concentrada nas ações dos bancos centrais mundiais, pois os mercados perceberam que se somente o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) atuasse, não haveria resultado. Em seguida, todos os BCs começaram a injetar recursos para tentar amenizar a situação.
Para Corrêa, este é o pior momento financeiro da história, que pode até ser comparado com a crise de 1929.
"Não sabemos mais que medidas ou que notícias podem reanimar o mercado. Acho que os bancos centrais estão fazendo seu papel", afirma.
O economista avalia que os mercados deveriam se fechar por um ou dois dias e esperarem as notícias se acalmarem.
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