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26/10/2008 - 16h20

PT apresenta dificuldade estratégica ao longo da campanha em Porto Alegre; ouça

da Folha Online

O candidato José Fogaça (PMDB) se reelegeu prefeito de Porto Alegre (RS) neste domingo. Com 100% das urnas apuradas, Fogaça obteve 58,95% dos votos válidos, contra 41,05% de Maria do Rosário (PT), 41. Com a vitória, o prefeito impediu a volta do PT à prefeitura da cidade.

Juliano Corbellini, doutor em ciência política pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e professor da Faculdade de Ciência Política da ULBRA-RS (Universidade Luterana do Brasil), no Rio Grande do Sul, afirma que a eleição em Porto Alegre, ao contrário do que se poderia supor, não é uma disputa na qual o PT joga todo o peso do seu trabalho de 16 anos em contraposição ao governo de Fogaça.

Juliano Corbellini

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"Essa reivindicação não acontece por parte do PT. Isso, em um certo sentido, é o indicador da dificuldade estratégica que a candidata Maria do Rosário teve ao longo de toda campanha", acredita Corbellini.

O cientista político diz que a candidata teve que mudar sua campanha mais de uma vez, no primeiro turno, por ter sido pressionada com a possibilidade de não ir para esta segunda fase. Além de Fogaça, Maria do Rosário concorreu com a candidata Manuela D'Ávila (PC do B), terceira colocada na disputa, e com Luciana Genro (PSOL) --que chegou a ter quase 10% dos votos válidos e reteve grande parte do eleitorado tradicional petista.

"Dessa maneira, Maria do Rosário ficou em uma espécie de limbo, no primeiro turno. Ela nem conseguiu se apresentar como um passo adiante em relação ao próprio PT e nem conseguiu jogar para dentro da campanha todo o patrimônio eleitoral representado pelos 16 anos de administração do partido", avalia.

Já o candidato Fogaça, no primeiro turno, conseguiu imprimir uma campanha com uma estratégia clara, afirma o professor. Corbellini explica que Fogaça primeiro resgatou a memória das pessoas a respeito de suas obras na cidade.

"Ele vitaminou os índices de aprovação do seu governo e colou o símbolo de continuidade da mudança. Quer dizer, ele consegue ser ao mesmo tempo continuidade e mudança. Ele também conseguiu trabalhar muito bem os seus atributos de personalidade, se mostrando como um candidato sério e confiável. Como um candidato que trabalha pouco a pouco, mas que avança", declara o professor.

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