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21/10/2008 - 17h16

Banco Central acerta ao ajudar setor de agronegócio; ouça economista

da Folha Online

Em meio à crise, o BCE (Banco Central Europeu) injetou no sistema bancário da zona do euro mais de US$ 500 bilhões, para ampliar a oferta de dinheiro e facilitar as operações de crédito. A Alemanha já havia anunciado um pacote de 500 bilhões de euros para resgatar o sistema financeiro do país. Os EUA, por sua vez, aprovaram US$ 700 bilhões em um pacote para o mesmo objetivo no início deste mês --com US$ 250 bilhões já liberados pelo governo para compra de ações de bancos.

Para Ricardo Araújo, professor de finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas), essas medidas ajudam a minimizar os efeitos da crise, mas a economia dos EUA atravessará um período "razoável" de recessão. "Nós vamos passar pelo menos seis meses amargando os efeitos dessa crise. Para que ela seja resolvida, tem que haver o restabelecimento da confiança do sistema bancário norte-americano. Não se resolve recessão nem nível de confiança com pacote."

Ricardo Araújo

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De acordo com o professor, os números têm mostrado que a economia americana reduziu o nível de atividade, o desemprego aumentou, está difícil conseguir crédito e a inadimplência é alta.

"Os efeitos já estão sendo sentidos. Já se fala, eu acredito, que no caso brasileiro a crise já está chegando ao fundo do poço. Os mercados caíram, se depreciaram, as empresas diminuíram o seu valor e existe uma boa parte de investidores com apetite de compra de ações na Bolsa", avalia Araújo.

O BC (Banco Central) destinou US$ 1,620 bilhão das reservas internacionais do país para o financiamento do comércio exterior. Ontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do BC, Henrique Meirelles, anunciaram em São Paulo o aumento da oferta de crédito rural em R$ 2,5 bilhões. Serão destinados ainda entre R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões para a construção civil e a expansão na participação dessas instituições financeiras nos empréstimos direcionados para pessoas físicas e jurídicas.

"O Banco Central brasileiro tomou medidas muito acertadas. O grande problema hoje no Brasil são as empresas que necessitam de crédito, especialmente empresas do agronegócio, que necessitam de créditos externo para financiar a produção de commodities. Essas empresas são as que mais sofreram no Brasil, que mais sentiram os efeitos dessa crise", explica o professor.

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