"Eu estava marcado para morrer"; ouça pai de Eloá
da Folha Online
O pai de Eloá Cristina Pimentel, 15, Everaldo Pereira dos Santos, é acusado de participar da morte de Ricardo José Lessa Santos, irmão do ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, em 1991 --ele é procurado desde 1993. Santos diz ser inocente e afirma que é um "arquivo vivo", mostra reportagem de Laura Capriglione, publicada na edição desta quarta-feira da Folha de S.Paulo.
Ouça, neste podcast, as declarações de Everaldo, que nega o crime. Para dificultar a localização do ex-PM, o advogado Ademar Gomes exigiu que a conversa fosse feita pelo telefone de seu escritório.
Pereira dos Santos diz que o crime de fato aconteceu. "Eu era cabo da Polícia Militar e fui requisitado para fazer parte da segurança de Ricardo Lessa. Ele nunca acreditou na Polícia Civil. Tinha medo de ser assassinado porque a Polícia Civil tinha inveja."
O pai da garota Eloá alega que não é o responsável pelo crime. "Sou inocente. Me acusaram de roubo de cargas, de matar um homem em um hospital. É mentira. É o costume deles. Para deixar você mais "podre", o acusam de tudo quanto é crime. Mas nunca houve uma testemunha que tenha dito que matei o doutor Ricardo. Nenhuma."
O vigia, que até recentemente era identificado como Aldo José da Silva, diz que ficou sabendo de um plano para matar o delegado quando foi afastado da segurança e passou a atuar burocraticamente no quartel.
"Contrataram policiais de Pernambuco para fazer o serviço. Tenho os nomes de todos eles. Os PMs que fizeram a segurança do dr. Ricardo, eu inclusive, morreriam em seguida. Quando foi decretada minha prisão preventiva, eu estava marcado para morrer. Eu sabia demais. Infelizmente, o irmão do dr. Ricardo nunca quis falar comigo. Então, nunca soube a verdade. Foi aí que decidi abandonar o Estado, a minha terra natal."
O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas acompanhava o cárcere privado da filha, ocorrido na última semana. Em uma das oportunidades em que Eloá apareceu na janela, ele teve uma crise de hipertensão e teve de ser removido do local por médicos. Neste momento, ele teve sua imagem divulgada por órgãos de imprensa que estavam no local e acabou sendo reconhecido.
O pai de Eloá não diz quando se apresentará. "Não sei o que faço da minha vida. O que sei é que eles querem apagar o arquivo. Eu sou um arquivo vivo. A Polícia Civil na época fez de tudo para acabar com a minha vida e com a vida dos outros."
Processo
Segundo o Tribunal de Justiça de Alagoas, Everaldo responde a processos abertos na Justiça comum e Militar.
Ele integrava a Polícia Militar de Alagoas e é suspeito de fazer parte de um grupo denominado de gangue fardada, espécie de esquadrão da morte local.
O processo foi aberto em 1993, dois anos depois do crime. Santos, segundo o TJ de Alagoas, responde a homicídio doloso (quando há intenção de matar). Este mesmo caso desencadeou outros dois processos: um na Justiça Militar Estadual de Alagoas, já que ele era militar, e outro, o que configura o grupo de extermínio.
Em 21 de julho deste ano, o juiz de direito Geraldo Cavalcante Amorim, da 9ª Vara Criminal de Maceió, renovou o pedido de prisão contra Everaldo.
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