Milhares de americanos vão ter problemas para votar; ouça Andrea Murta
da Folha Online
O voto é facultativo nos Estados Unidos e quem exerce seu direito de participação política no país não tem um caminho fácil pela frente. Neste ano há uma série de problemas que estão minando o direito de voto de literalmente milhões de americanos. Essas barreiras podem fazer a diferença em Estados onde a disputa entre John McCain e Barack Obama está muito acirrada.
As informações são de Andrea Murta, correspondente da Folha em Nova York. Ela diz que o Estado de Indiana, por exemplo, cedeu à pressão de republicanos há alguns anos e resolveu exigir um documento de identidade com foto para os eleitores que vão às urnas. Ouça outros podcasts sobre as eleições nos EUA.
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"Só que nos Estados Unidos não tem carteira de identidade nacional, e cerca de 12% dos norte-americanos não possui documento com foto. A maioria desses é de baixa renda e pertencentes a minorias, inclusive negros, que costumam votar no Partido Democrata", explica.
Para os democratas, esse tipo de exigência não passa de uma forma de os republicanos restringirem seus eleitores, afirma a jornalista. Segundo ela, em Indiana, Barack Obama está na frente na média das pesquisas por apenas 0,3 pontos percentuais, e qualquer problema de acesso às urnas pode ser suficiente para influenciar o resultado da eleição naquela região. "Algo parecido acontece também em Geórgia, Flórida, Arizona e Missouri."
De acordo com Murta, outro problema é a dificuldade de se registrar para votar, um processo cheio de detalhes. No Colorado, cerca de 6.400 eleitores não vão poder votar neste ano.
"Eles esqueceram de marcar um item no formulário de registro eleitoral e tiveram o pedido rechaçado. Muitos nem sabem disso, só vão descobrir quando chegarem nas sessões eleitorais", relata.
Para quem consegue se registrar e se manter nas listas de votação também não é garantido, diz a repórter. Vários Estados, supostamente para evitar fraudes, resolveram comparar as listas de eleitores com registros de outras bases de dados, como a seguridade social. E aqueles cujas informações não batem estão sendo sistematicamente retirados das listas, mesmo que seja por problemas simples como diferenças de ortografia ou mudança de endereço.
Em Ohio, há 200 mil eleitores correndo o risco de ter o registro eleitoral jogado fora. Na Flórida, outros 9.000 enfrentam situação semelhante, revela Murta.
Segundo a jornalista, analista consultados pela Folha, porém, mantém o otimismo. "Eles esperam que a margem de vitória de um ou outro candidato seja alta o suficiente neste ano para que o número de eleitores barrados nas urnas não faça diferença no resultado. Mas isso é algo que só vamos descobrir em 4 de novembro", conclui.
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