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29/10/2008 - 09h35

Argentina obriga fundos de pensão a repatriar recursos investidos no Brasil; ouça

da Folha Online

A medida radical do governo argentino de propor a estatização da previdência privada, diante da crise financeira internacional, não afeta só o país, mas também o seu principal parceiro comercial na região, o Brasil.

As informações são de Adriana Küchler, correspondente da Folha na Argentina e responsável pelo blog Tangos e Tragédias da Folha Online. Ouça outros podcasts com a participação da jornalista.

Adriana Küchler

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Segundo Küchler, antes mesmo de a estatização ser aprovada pelo Congresso, o governo já começou a intervir nos fundos de pensão privados e determinou que eles devem repatriar cerca de US$ 500 milhões que têm investidos no Brasil.

"Os investimentos no Brasil foram responsáveis por grande parte dos lucros que a previdência privada teve nos últimos dois anos. Mas, agora, a Argentina precisa de dinheiro. Todos esses dólares que podem desaparecer do Brasil até o fim dessa semana visam trazer mais divisas para os argentinos, que também enfrentam uma fuga de dólares e uma rápida valorização da moeda americana frente ao peso", explica a jornalista.

De acordo com ela, o governo também determinou que as administradoras de previdência privadas não podem comprar dólares nem vender títulos da dívida pública argentina, para não criar mais especulação no mercado. Com isso, colocou observadores em cada um dos fundos de previdência para assegurar que eles estão cumprindo bem essas ordens.

A medida começou a ser discutida nesta terça pelo Congresso argentino e grande parte da oposição já anunciou que votará contra o projeto, afirma a jornalista.

"Para a oposição, o governo não está interessado no futuro de seus aposentados. Quer apenas garantir fundos para pagar a dívida externa, diante da falta de financiamento internacional", diz Küchler.

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