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24/11/2008 - 07h30

"Não quero sobrecarregar o leitor com questões políticas"; ouça Ferreira Gullar

da Folha Online

O crítico de arte, escritor e poeta maranhense Ferreira Gullar começou a atuar como colunista em 1959, no "Jornal do Brasil". Depois desta experiência, também colaborou com o semanário carioca "O Pasquim" e com o jornal "Correio Brasiliense".

Há três anos e dez meses, Gullar assina uma coluna no caderno Ilustrada da Folha, veiculada sempre aos domingos. O escritor conta que antes mesmo de escrever para o caderno, já era leitor do suplemento. "É o tipo de matéria que me interessa, sobre a área das artes em geral", diz.

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Gullar relata que ao ser convidado para escrever na Folha, analisou a responsabilidade de colaborar com um jornal de grande circulação. "Esse fato logo determinou uma reflexão sobre o que ia fazer, porque eu tenho plena consciência de minhas responsabilidades. Eu encarei isso como uma coisa importante", declara.

Sobre os critérios que usa para definir o assunto de cada edição, o escritor explica que prefere não explorar temas relacionados à política e à economia.

"Eu não quero sobrecarregar o leitor com essas questões. Primeiro porque quando o problema é muito grave, todos os comentaristas do jornal que estão ligados a essas questões abordam esses problemas com mais autoridade do que eu. Então, eu não vou me meter nisso."

O colunista afirma que só fala sobre política ou economia quando acredita que sua observação irá contribuir de algum modo para se compreender melhor os acontecimentos.

"Eu alterno os temas. Eu me sinto a vontade para discutir todo e qualquer assunto. Essa liberdade que o próprio jornal me concede me ajuda muito, porque reduz um pouco a pressão de estar com a crônica pronta no dia de entregar para a redação", comenta.

Gullar diz que o cronista tem a possibilidade de apontar questões que podem até parecer particulares, mas que, na verdade, acabam retratando a realidade de outras pessoas também.

"Minha experiência como poeta me ensinou que, muitas vezes, você está falando em uma coisa que parece que é só com você, mas você sabe que não é. Eu tenho retorno das crônicas que eu escrevo abordando questões aparentemente minhas. Tenho confirmações disso através de e-mails, cartas e telefonemas que recebo", diz.

O crítico revela que, atualmente, uma das principais ocupações de sua vida é escrever a crônica de domingo para a Ilustrada. Ele fala que sabe que os seus textos publicados no jornal podem atingir muitas pessoas, tanto para o bem como para o mal.

"O que eu digo ali tem conseqüência. Não há nenhuma arrogância no que eu estou dizendo, isso se deve ao jornal e à amplitude que ele tem, e a importância que a imprensa tem na sociedade", ressalta.

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