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23/11/2008 - 02h30

Sempre há tensão em eleições venezuelanas; ouça correspondente

da Folha Online

A Venezuela vai eleger governadores e prefeitos neste domingo. O país vive um momento de tensão, principalmente por causa das declarações de ameaças de prisão e de duros ataques contra líderes oposicionistas feitas pelo presidente Hugo Chávez

Segundo Fabiano Maisonnave, correspondente da Folha em Caracas, a eleição, que deveria discutir problemas regionais gravíssimos como segurança pública e educação, se transformou, nas últimas semanas, em um plebiscito sobre o presidente Hugo Chávez, que entrou na campanha com muita força e com fortes declarações.

Fabiano Maisonnave fala sobre as eleições na Venezuela

"Chávez tem dito que se a oposição vencer há o risco de uma guerra civil no país. Prometeu ocupar com tanques e tropas o Estado de Carabobo. Ameaçou também o governador de Zulia e candidato a prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, de prendê-lo por atos de corrupção", relata Maisonnave.

De acordo com o jornalista, com tudo isso a eleição deixou de discutir assuntos locais e se transformou sobre quem está contra e quem está a favor de Chávez. "Isto realmente tem funcionado. Na maioria das pesquisas de opinião sérias há uma subida dos candidatos chavistas, nas útlimas semanas, desde que o presidente entrou com tudo na campanha."

O interesse do presidente Hugo Chávez é claro: ele quer novamente fazer um plebiscito para aprovar a reeleição indefinida para presidente. O venezuelano já disse que quer se aposentar pelo menos em 2021, embora seu mandato termine em 2012, declara Maisonnave.

O jornalista diz que até agora não houve incidentes graves registrados no país. "É bom lembrar que sempre há tensão quando ocorrem eleições na Venezuela, mas geralmente o dia seguinte costuma ser relativamente calmo", conclui.

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