Família coloca móveis no sótão para salvá-los da enchente em Gaspar (SC)
Colaboração para a Folha Online
Quando a água começou a invadir a residência onde o músico Juvenal Motta, 20, mora com a família, no bairro Coloninha, em Gaspar (SC), a saída foi levar móveis e eletrodomésticos para o sótão da casa, para evitar perder tudo durante a enchente que atingiu Santa Catarina.
Morador de Gaspar relata situação da cidade
As águas começaram a invadir o imóvel de quatro cômodos por volta das 9h de sábado (22), segundo Motta. "Duas ruas paralelas alagaram antes. Deu tempo para a gente pegar os móveis e colocar em um lugar seguro", afirma Motta. Mesmo assim, não foi possível salvar tudo. Uma cama, dois armários e algumas roupas foram perdidos durante a enxurrada.
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A água chegou a aproximadamente 1,50m de altura na casa onde o músico mora com o pai, a mãe e um irmão de 19 anos. A família buscou abrigo na residência de outro irmão de Motta, que mora na cidade vizinha de Brusque. "Lá é um apartamento, não tinha como encher", diz.
De acordo com o músico, sua casa fica a aproximadamente quatro metros abaixo do nível da rodovia que corta a cidade. Após deixar sua residência, ele e outros vizinhos ainda ajudaram com um barco a resgatar outros moradores que não conseguiram deixar seus imóveis.
Na quarta-feira (26), as águas baixaram e a família conseguiu retornar ao imóvel. Apesar disso, a situação não voltou ao normal na cidade. "Há dificuldade para comprar alimento, muitas famílias perderam tudo, há gente que não tem onde morar, outros têm de reconstruir a casa toda, faltam roupas e as condições alojamentos são precárias. É muita gente para pouco espaço", afirma.
A casa de Motta, agora há onze pessoas, três irmãs e quatro sobrinhos que moram em locais onde o nível da água ainda não baixou, também em Gaspar.
Há também exploração do preço em muitos estabelecimentos. "A água mineral, uma garrafinha que pagava R$ 0,70, tem gente cobrando R$ 5. Gasolina, que se paga R$ 2,50 em média, tem posto que está cobrando quase R$ 10", diz o músico. Segundo Motta, outro problema são as linhas de telefone, que continuam sem funcionar.
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