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27/11/2008 - 20h34

Médico fica ilhado por três dias em hospital de SC e relata drama causado pela chuva

da Folha Online

"É uma situação dramática, de desalento. A população vem se mobilizando e o que a gente vê é uma solidariedade muito grande entre os que estão aqui", afirmou Roque Angerami, intensivista da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) e vice-presidente da Socati (Sociedade Catarinense de Terapia Intensiva). Ele ficou três dias ilhado em um hospital devido às chuvas em Santa Catarina. Até a noite desta quinta-feira, a Defesa Civil registrava 99 mortes no Estado.

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O médico estava na UTI do Hospital Santa Catarina, quando começou o caos causado pelas chuvas em Blumenau (SC). Enquanto cumpria o plantão, o hospital sofreu com deslizamentos de terra no último fim de semana. Houve falta de energia, de água e de oxigênio.

Médico fica ilhado por três dias em hospital de SP

"A situação foi piorando conforme a chuva se intensificou, e os deslizamentos das encostas começaram. Foi uma situação de caos. Era muita gente tentando sair da cidade", afirma Angerami.

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Segundo ele, durante os três dias em que ficou ilhado, foi necessário utilizar um gerador de eletricidade, pois toda a região ficou sem energia elétrica. O abastecimento de água potável também foi comprometido.

"Na noite de sábado para domingo, um deslizamento de terra dentro do terreno do hospital comprometeu a rede e o fornecimento de oxigênio. Nós conseguimos suprir essa necessidade com a utilização de cilindros de oxigênio e não houve nenhum dano maior aos pacientes internados", diz o médico.

Na segunda-feira, a chuva deu uma trégua, e o nível do rio começou a baixar. O setor de emergência do hospital não fez nenhum atendimento porque o acesso ficou completamente bloqueado, tanto pela água quanto pelas barreiras que foram desabando pela cidade.

"Daqui nós pudemos ver as encostas que ficam atrás do hospital desmoronando aos poucos e casas sendo levadas em fração de segundos e se transformando em um monte de entulho", afirmou Angerami.

De acordo com o médico, a preocupação agora é com as doenças infecciosas, como tétano, leptospirose e acidentes com animais, que terão uma maior incidência.

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