Toni Sciarretta: Onde colocar o dinheiro em 2009?
da Folha Online
Vários leitores que viram recentemente alguns dias de alta na Bolsa se perguntam se está na hora de voltar a aplicar dinheiro em ações. Analistas de mercado --otimistas e pessimistas-- se mostram bastante céticos com as perspectivas para a Bolsa brasileira pelo menos em médio prazo.
As informações são de Toni Sciarretta, repórter do caderno Dinheiro da Folha. Ouça outros podcasts com a participação do jornalista.
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Onde colocar o dinheiro em 2009
"É verdade que o preço das ações brasileiras está muito baixo, perto do que atingiu em maio e no ano passado. Mas também é incerto que ele volte para o patamar anterior tão rápido. Se isso acontecesse, não precisaríamos enfrentar hoje a maior crise de confiança dos mercados desde a Depressão dos anos 30", avalia o jornalista.
Sciarretta diz que os analistas têm vários argumentos para desacreditarem na retomada da Bolsa brasileira. Um deles é que a Bovespa é movida por dinheiro estrangeiro, que parece ter secado. Quando esse dinheiro sobrar, vai encontrar outras oportunidades de menor risco, como a renda fixa do setor corporativo. Só quando essas opções se esgotarem é que virá dinheiro forte para países emergentes, como o Brasil. Dificilmente, isso acontecerá em 2009, segundo esses analistas.
"Claro que sempre tem oportunidade na Bolsa. Quem entrar agora faz melhor investimento do que teria feito cinco meses atrás quando a Bolsa estava com 70 mil pontos no Ibovespa. O investimento depende das perspectivas de empresa para empresa. Esse pessimismo atual, que foi exacerbado, pode e deve ser revisto. A gente pode ter muitos movimentos de alta, mas uma guinada como vimos até meados deste ano está fora do radar", declara Sciarretta.
O jornalista conversou com Juliana Braga, diretora da área de gestão de fortunas do UBS Pactual. Ela recomenda cautela e lembra que, no Brasil, há taxa de juros altíssimas da dívida do governo, que tem baixo risco e alto retorno.
"Não compensa o brasileiro correr tanto risco na Bolsa se pode investir em fundos de renda fixa, no Tesouro Direto, e em CDBs dos bancos com retorno bruto na casa de 14% ao ano", afirma Toni Sciarretta.
Para os que podem tolerar alguma volatilidade, Juliana Braga recomenda a compra de ações de setores defensivos, como empresas de saúde e de serviços públicos como saneamento, energia e telecomunicações, que são menos sensíveis à queda nas vendas.
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