Obama tem sinalizado que vai manter algumas políticas de Bush
da Folha Online
Desde sua vitória como presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama tem procurado ampliar sua base dentro do país. Ele tem indicado que vai manter algumas políticas do governo de George W. Bush, especialmente em relação ao livre comércio e à política externa.
As informações são de Flávio Rocha, doutor em ciência política pela USP (Universidade de São Paulo) e professor do curso de relações internacionais da Faculdade Santa Marcelina.
Flavio Rocha fala sobre os desafios de Obama
Segundo o cientista político, o democrata terá dois grandes problemas iniciais para enfrentar na sua gestão, que irão gerar um forte impacto na política doméstica norte-americana. O primeiro, é o problema iraquiano.
"Durante a eleição, o presidente Obama havia se comprometido a retirar todas as tropas americanas até 2010. Só que no processo final da eleição, o governo de Bush chegou a um acordo com o governo do Iraque, segundo o qual as forças americanas só sairiam em 2011", relata.
O professor diz que com isso, Obama terá o desafio de manter presença --ainda que "mínima"--no Iraque, ao mesmo tempo em que tenta estabelecer negociações com o Irã, a potência dominante no golfo Pérsico.
"Em meio a isso, ele também deverá sinalizar para seus dois maiores aliados na região, a Arábia Saudita e Israel, que eles, os EUA, não vão deixar esses aliados vulneráveis frente a pressão constante que o Irã está construindo na região", acrescenta.
O segundo fator que Barack Obama terá que lidar é em relação ao Afeganistão, comenta o professor. Durante a campanha eleitoral, Obama tinha declarado que o foco da guerra tinha que se transferir do Iraque para o Afeganistão, devido às presenças do Talebã e da Al Qaeda.
"Essa situação só fez ficar agravada no último mês por conta dos ataques terroristas em Mumbai, na Índia. Então, a Índia vê, com certa razão, a presença de membros da Inteligência paquistanesa na instrumentalização desses ataques", explica.
Segundo Rocha, a situação no Paquistão ficou ainda mais delicada, pois rotas paquistanesas são usadas para passar todo o apoio logístico que os EUA e a Otan (Organização do Tratado Atlântico Norte) usam para suas operações no Afeganistão.
"Se o Paquistão se tornar um país cada vez mais instável, toda a estratégia americana voltada para o Afeganistão fica em perigo. Ou seja, o custo político para operar dentro de território afegão sobe enormemente. O que pode lançar o governo Obama em uma situação similar a do governo Bush.
O professor afirma que o Iraque foi o momento negativo que marcou toda a gestão de George W. Bush, e o Paquistão pode se tornar a fase negativa do governo Obama.
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