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17/12/2008 - 09h13

Igor Gielow: Brasil embarca no antiamericanismo

da Folha Online

É inacreditável que, passado seis anos do governo Lula, o Itamaraty ainda embarque na "canoa furada" do antiamericanismo como desculpa para os problemas do Brasil e de seus vizinhos.

A avaliação é de Igor Gielow, secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha. Segundo ele, o tom de indignação adotado pelo Brasil na reunião de chefes de Estado realizada na Bahia, ao que o chanceler Celso Amorim chamou de poderes externos na América Latina, seria apenas folclórico se não tivesse suas conseqüências.

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Brasil embarca no anti-americanismo

"Ora, é lógico que temos todos os motivos para desconfiar de grandes potências e há um histórico de envolvimento delas por essas terras. Mas, tratar isso como uma cláusula pétrea, ainda mais em um momento em que os Estados Unidos em tese terão a chance de mudar o jeito com que se relacionam com o mundo, me parece mais um jeito de tentar jogar para debaixo do tapete as próprias deficiências do que exercícios de diplomacia moderna", diz Gielow.

Para o jornalista, o discurso de Celso Amorim transparece como um modelo diplomático da "era Geisel", quando o Brasil precisava mostrar que era uma potência.

"O Brasil é importante, amadureceu, ganhou peso em algumas discussões mundiais, mas não é a potência rebelde que vai liderar os bugres contra os conquistadores malvados", conclui Gielow.

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