Igor Gielow: Brasil embarca no antiamericanismo
da Folha Online
É inacreditável que, passado seis anos do governo Lula, o Itamaraty ainda embarque na "canoa furada" do antiamericanismo como desculpa para os problemas do Brasil e de seus vizinhos.
A avaliação é de Igor Gielow, secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha. Segundo ele, o tom de indignação adotado pelo Brasil na reunião de chefes de Estado realizada na Bahia, ao que o chanceler Celso Amorim chamou de poderes externos na América Latina, seria apenas folclórico se não tivesse suas conseqüências.
Ouça outros podcasts com a participação do jornalista.
Brasil embarca no anti-americanismo
"Ora, é lógico que temos todos os motivos para desconfiar de grandes potências e há um histórico de envolvimento delas por essas terras. Mas, tratar isso como uma cláusula pétrea, ainda mais em um momento em que os Estados Unidos em tese terão a chance de mudar o jeito com que se relacionam com o mundo, me parece mais um jeito de tentar jogar para debaixo do tapete as próprias deficiências do que exercícios de diplomacia moderna", diz Gielow.
Para o jornalista, o discurso de Celso Amorim transparece como um modelo diplomático da "era Geisel", quando o Brasil precisava mostrar que era uma potência.
"O Brasil é importante, amadureceu, ganhou peso em algumas discussões mundiais, mas não é a potência rebelde que vai liderar os bugres contra os conquistadores malvados", conclui Gielow.
Quer ser avisado dos podcasts de Igor Gielow? Basta utilizar seu canal em RSS. Para aprender a mexer no RSS, clique aqui.