Eliane Cantanhêde: "Sapatada" nele
da Folha Online
O repórter iraquiano Muntazer al Zaidi, da TV Al Bagdadia, com sede no Egito, atirou os dois sapatos contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante entrevista coletiva concedida em Bagdá, na última segunda-feira (15).
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Eliane Cantanhêde, colunista da Folha e da Folha Online, defende o ato do iraquiano. "Ele tinha o direito de jogar os sapatos na cara de um presidente visitante? Talvez não e, com certeza, esse não é o papel do jornalista. Mas, cá para nós, muito menos direito tinha o Bush de invadir o pais alheio e ainda mais inventado armas químicas e biológicas que jamais existiram. 'Sapatada' nele."
Para Cantanhêde, jornalistas devem ser impessoais, imparciais, apartidários e sempre críticos. "Nós conversamos e ouvimos a esquerda, a direita, o centro. Nós provocamos e queremos entender e relatar o contraditório. Tudo isso é verdade, mas vale para regimes democráticos e estabilidade institucional", afirma a colunista.
Segundo ela, durante a ditadura militar no Brasil ser jornalista era um exercício diário de autocontrole para usar as brechas possíveis e poder informar. Os jornalistas e a imprensa tiveram papel decisivo para a abertura democrática que se deu sem guerras e sem uma gota de sangue, avalia Cantanhêde.
"Naquele momento, nós, os jornalistas, não éramos impessoais, nem imparciais, nem apartidários. Nós éramos também de carne e osso e estávamos sendo excepcionais dentro de um regime que era excepcional", declara a colunista.
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