Conflitos não têm apenas objetivo de desestruturar Hamas, diz cientista político
da Folha Online
Os conflitos no Oriente Médio provocados pela ofensiva militar do Exército de Israel à faixa de Gaza não tem só o objetivo de desestruturar o grupo extremista Hamas, que governa a região. A ação é também uma maneira de minimizar a atuação do Irã.
A avaliação é de Williams Gonçalves, cientista político e professor de Relações Internacionais da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e da UFF (Universidade Federal Fluminense). Segundo ele, o Irã é alvo dos ataques porque todos temem a capacitação nuclear do país.
Entenda a disputa pela terra entre palestinos e israelenses
Comente a violência em Gaza
Leia a cobertura completa dos ataques à faixa de Gaza
Irã é o alvo dos ataques à faixa de Gaza
"Ninguém deseja a capacitação nuclear no Irã porque no momento que isso acontecer haverá uma forte alteração da correlação de forças políticas. Ações militares como essas de Israel dificilmente voltarão a acontecer. A capacitação nuclear transforma o Estado, dá um novo estatuto internacional. Aquele que tem armas nucleares age livremente", diz Gonçalves.
Para o especialista, esse conflito gera um número maior de manifestações populares se comparado a intenção dos governos de querer um cessar-fogo, pois as pessoas se sensibilizam com o drama da população palestina. "Como o Hamas é considerado um movimento terrorista e não um movimento político, disfarçadamente todos aceitam a ideia de que o grupo deve ser esmagado."
Os bombardeios israelenses contra alvos do Hamas entraram nesta terça-feira em seu 11º dia consecutivo, com um saldo total de mais de 550 mortos e cerca de 2.500 feridos.