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15/01/2009 - 16h01

Argentina tenta soluções para driblar falta de dólares na economia

da Folha Online

No mês em que os índices de inflação na Argentina completam dois anos sob suspeita de manipulação, o governo do país vizinho anunciou que a alta de preços no país, em 2008, ficou em 7,2%. O valor divulgado nesta semana representa apenas um terço da estimativa de analistas privados, para quem a inflação ficou em 20% no ano passado no país.

Thiago Guimarães, correspondente da Folha na Argentina, diz que o sistema oficial de estatísticas no país está sob suspeita desde janeiro de 2007. Na ocasião, o então presidente Néstor Kirchner (2003-2007) promoveu mudanças de pessoal no Indec (o IBGE local), sucedidas por alterações nos cálculos oficiais.

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"No último trimestre de 2008, a crise mundial desacelerou a economia e reduziu a diferença entre os informes públicos e privados de inflação, que ainda é grande. Para a consultora Ecolatina, por exemplo, a alta de preços atingiu 23,5% em 2008", diz Guimarães.

Além de afetar as expectativas de investidores, as distorções nos cálculos da inflação impactam sobre outros indicadores econômicos, como os índices de pobreza. Reduz ainda a fatia da dívida do Estado indexada à inflação, de cerca de US$ 56 bilhões --41% do total--, segundo o jornalista.

De principal problema econômico argentino no início de 2008, a inflação passou a um segundo plano na Argentina. O país tenta hoje soluções para sustentar a atividade e driblar a falta de dólares na economia em 2009, motivada pela queda nas exportações e pela ausência de financiamento externo.

"Economistas de oposição dizem, contudo, que o país enfrenta agora um risco ainda maior, o de 'estagflação' (inflação com recessão). O livro do ex-ministro da Economia Domingo Cavallo sobre o tema é um dos títulos mais vendidos hoje no país", conclui o jornalista.

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