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22/01/2009 - 16h23

Falta de chuva ameaça crescimento da economia na Argentina

da Folha Online

A pior seca das últimas décadas é o tema da vez na Argentina. A falta de chuvas ameaça, em 2009, o crescimento da economia vizinha, que já enfrenta retração pós-crise mundial.

As informações são de Thiago Guimarães, correspondente da Folha em Buenos Aires. Segundo ele, em algumas Províncias como Santa Fé e Entre Rios a seca é a mais intensa dos últimos 70 anos. Ouça outros podcasts com a participação do jornalista.

Thiago_Guimaraes Argentina

"Agricultores locais estimam perdas de US$ 4 bilhões nos principais cultivos --trigo, milho e soja. Preveem ainda queda de 20% na produção total de grãos em relação à safra anterior --de 98 milhões de toneladas para 78 milhões de toneladas", relata o jornalista.

O campo é um dos principais motores da economia argentina, afirma Guimarães. Responde por cerca de 50% das exportações e 5% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, porcentagem que chega a 10% se somadas atividades indiretas relacionadas ao setor, como transporte e construção.

De acordo com o jornalista, a seca aumenta a tensão entre o setor rural e o governo Cristina Kirchner, que protagonizaram a maior crise política recente no país em torno de um aumento de impostos sobre exportações de grãos. Piora também um cenário marcado por perda de rentabilidade --sobretudo na pecuária- e restrições estatais às exportações.

Pressionado pelos fatos, o governo anunciou neste mês benefícios para compra de maquinaria agrícola e fertilizantes. Entidades ruralistas disseram que as medidas não foram discutidas, têm alcance limitado e confundem a opinião pública. "O que querem, na verdade, é a liberação de exportações e auxílio direto para regiões atingidas pela seca", declara Guimarães.

A comissão que reúne os principais sindicatos rurais informou nesta quarta-feira que vai enviar uma relação de pedidos à presidente Cristina. Disse ainda que no interior do país produtores querem retomar os locautes --interrupções na venda de grãos que causaram desabastecimento no ano passado e agravaram o conflito. "O ano econômico promete ser quente --e seco na Argentina", conclui o jornalista.

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