Obama quer gerar até 4 milhões de empregos com pacote econômico
da Folha Online
O valor do pacote de estímulo à economia dos EUA, que já foi aprovado pela Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) e aguarda votação no Senado, já passa de US$ 900 bilhões, após os acréscimos feitos por senadores. O Senado quer que sejam incluídos no pacote recursos para pesquisas médicas e cortes de impostos para compra de carros.
Marcelo Rocha Zorovichi, professor do curso de relações internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), ressalta que, com a liberação dessa verba, Obama pretende proporcionar uma situação favorável para a geração de três a quatro milhões de empregos em um cenário a longo prazo.
Leia a cobertura completa da crise nos EUA
Entenda a evolução da crise que atinge a economia
Segundo o professor, existe ainda a intenção de o governo reduzir os impostos e com isso incentivar os pequenos negócios e outras áreas de extrema relevância, como infraestrutura e construção, além de investimentos no setor da educação e saúde.
"Eu também chamaria atenção para um aspecto que está dentro do programa do governo pelo comércio justo, para ajudar os americanos na busca pelo emprego. Isso passa por vários setores da economia, mas temos que nos atentar por uma questão que está por trás, ligada ao protecionismo", diz Zorovichi.
Para o professor, esse é um dos aspectos que já vem desencadeando uma preocupação por parte de vários países da Europa e até mesmo no Brasil. Várias áreas podem ser efetivamente afetadas, como o setor de ferro e aço.
A economia dos Estados Unidos sofreu uma queda acentuada no quarto trimestre do ano passado, com uma contração de 3,8% no PIB (Produto Interno Bruto). Algumas montadoras americanas --Ford, General Motors e a Chrysler--, sofreram retrações que chegam a 50%.
Além disso, o nível de confiança do consumidor americano tem diminuído. Os que estão desempregados já não podem comprar e os que ainda mantêm seus empregos estão receosos diante de um cenário de insegurança.
"A gente tem duas classes que vem sentindo fortemente esse efeito da economia. O consumidor de baixa renda sente a pressão do mercado de trabalho, moradia e restrição ao crédito. Enquanto as pessoas mais favorecidas sentem a deterioração econômica através do seu próprio bem-estar, em muitos casos com respeito a planos de aposentadoria e custo de moradia", explica o professor.
Os efeitos dessa crise afetam economias de países como Canadá, Rússia, China, Japão, Alemanha, onde pacotes de incentivos já são discutidos.
"Os países que estão tendo uma retração no cenário de redução no consumo são países que fazem algo em torno de 60% da economia mundial. O Brasil não fica à margem dessa situação. Evidentemente, o reflexo será menor, mas a gente já vê aí resultados de curto prazo, por exemplo, a produção industrial, que caiu recentemente nesse mês de janeiro", avalia Zorovichi.
Leia mais notícias sobre o governo Obama
- Obama mantém tradição e nomeia não-diplomatas como embaixadores
- Ex-vice dos EUA diz que atos de Obama fortalecem ameaça terrorista
- Obama autorizará envio de 20 mil soldados ao Afeganistão, diz jornal
Leia mais notícias internacionais
- Rádio lê 40 mil mensagens a reféns das Farc, diz "El País"
- "Número dois" do Vaticano faz visita política inédita à Espanha
- Novo governo de Israel deve evitar confronto com EUA, dizem analistas
Especial
Livraria