Beija-Flor conta a história do hábito de se banhar
da Folha Online
Com o enredo "No Chuveiro da Alegria, Quem Banha o Corpo Lava a Alma na Folia", a escola de samba Beija-Flor leva para a avenida a história do hábito de se banhar, desde a Idade Média até os dias atuais. A agremiação se apresentará a 1h20 de segunda-feira (23).
Alexandre Louzada, carnavalesco da Beija-Flor, diz que o enredo volta no tempo e mostra a civilização egípcia, que foi a primeira a utilizar o banho como uma forma de higiene e de prazer pessoal. Vão ser utilizadas essências durante o desfile e piscinas, fontes e chafarizes com água farão parte dos carros alegóricos.
"Nosso enredo começa falando de Cleópatra, que adicionou à água óleos essenciais, pétalas de flores e leite de cabra. Ela é a precursora do banho como nós conhecemos hoje, dos cosméticos e dos tratamentos de beleza", afirma.
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O carnavalesco diz que as fantasias da Beija-Flor serão marcadas por contrapontos de cores que vão da "limpeza à sujeira". Ele comenta que as termas, grandes casas de banho do Império Romano, também vão ser abordadas no desfile, assim como a proibição do banho público pela Igreja na Idade Média, que o considerava um ato libidinoso.
Leia a seguir a letra da música.
"No Chuveiro da Alegria, Quem Banha o Corpo Lava a Alma na Folia!"
Compositores: Tom Tom, Marcelo Guimarães, Lopita, Jorge Augusto e Veni Vieira
Intérprete: Neguinho da Beija-Flor
Águas do tempo
Fonte da vida purificação
No azul da fantasia mergulhei
Nas ondas da emoção
Lá no Egito começou o hábito de se banhar
Um ritual de prazer que conquistou a realeza
No Oriente imperou e os males da mente expulsou
Nas ervas o aroma renovou, nas termas a luxúria e o vapor
Chega a Idade das Trevas, o corpo se fecha, o sonho acabou
E o que dava prazer, virou pecado, o banho foi excomungado
As águas rolaram
As mentes lavaram, clareou!
O índio ensinou, o banho voltou
E o mundo se purificou
Renasce a esperança, toda corte é perfumada
A sujeira é disfarçada até que um francês descobriu
Corpo limpo, corpo são, o banho evoluiu
Banho de chuva, banho de cheiro oi...
Banho de felicidade, banho de gato amor
Relaxa e dá calor de verdade, banho de lua ou de sol
Na cachoeira ou no mar, Odoyá, Yemanjá
Oxum! A deusa do encanto, estende o seu manto
Aos orixás a nossa fé, quem banha o corpo, lava a alma
E toma um banho de axé!
No chuveiro da alegria
Salve! As águas de Oxalá, embala eu babá
Feito um rio de magia que deságua luxo e cor
Banhando o povo vem a Beija-Flor