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26/02/2009 - 18h26

Web impulsiona novos humoristas na esteira do stand-up comedy

VANESSA TEODORO
da Folha Online

A comédia stand-up caiu no gosto popular. Até mesmo quem não teve a oportunidade de assistir pessoalmente a alguma apresentação já conhece os principais comediantes do gênero no Brasil por meio de vídeos (muitas vezes amadores) disponibilizados na internet.

No dia em que a Folha Online esteve no Memphis Rock Bar, onde é apresentado às quintas-feiras o stand-up "Divina Comédia", a maioria do público tentava obter o melhor "ângulo" para registrar em câmeras e em celulares trechos das apresentações.

Rogério Morgado, um dos integrantes do show cujo elenco é formado por Maurício Meirelles, Felipe Hamachi e Danilo Gentili, diz que a web ajudou a divulgar o formato, mas que o fato de o estilo ter se popularizado no país se deve também a uma nova geração dos humoristas.

Rogério Morgado

"Estava tudo muito igual. Começaram a utilizar o nome de stand-up, porque era feito há muito tempo no Brasil pelo Jô Soares e pelo José Vasconcelos, mas não era usado esse nome. O Clube da Comédia que começou a usar. Quando as pessoas viram a renovação do humor, com a ajuda da internet para divulgar tudo isso, houve essa grande explosão", declara.

A fórmula parece simples. O comediante sobe ao palco e conta piadas, sem ter que representar nenhum personagem e deixa de fora os recursos cenográficos. Mas fazer as pessoas acharem graça sobre situações que envolvem o seu próprio estilo de vida --nem sempre tão divertido quanto nas histórias-- não é tão simples assim. Morgado fala que para elaborar uma piada de três minutos precisa em média de três dias, ou seja, 24 horas para cada 60 segundos de texto.

"Ralamos bastante para conseguir extrair graça de alguns temas. Pensamos tudo de um jeito que não vá entregar a piada, porque a gente trabalha muito com a surpresa. Às vezes, você coloca uma palavra antes de outra e já perde a piada. Eu diria que é 70% transpiração e o resto é que vem de inspiração", explica.

Mas por que é engraçado ouvir alguém falando do trânsito caótico de São Paulo, da incredulidade sobre o que é prometido em certas propagandas publicitárias, de fracassos em relacionamentos e da rotina no escritório? "A identificação é o fator que leva as pessoas a rirem bastante. Quando as pessoas riem a gente fala: acertei a piada. Rola uma identificação do que a pessoa enxerga no dia-a-dia, mas a gente consegue contar de uma maneira engraçada", responde Morgado.

Poucas mulheres aderiram a este estilo de comédia, em que predomina a participação masculina. O humorista diz que a mulher ainda tem receio de se expor neste formato. "Nos Estados Unidos, tem muita mulher fazendo stand-up. Agora, aqui no Brasil, a maioria dos comediantes usa o autoflagelo, e falta a mulher perder um pouco o pudor para falar de si mesmo", afirma.

Divina Comédia
Onde: Memphis Rock Bar (av. Dos Imarés, 295, Moema, São Paulo, tel.:0/xx/11 5542-9767 ou 5535-8890)
Quando: Às 21h30. Todas as quintas-feiras por tempo indeterminado
Quanto: R$ 20

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