Thaís Nicoleti: Hífen sobreviveu à reforma ortográfica
da Folha Online
Com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor no Brasil desde 1º de janeiro deste ano, o emprego do hífen tem gerado dúvidas. Há quem pense que o sinal foi abolido e que agora se escreve tudo com dois "erres" e dois "esses".
Não é bem assim, de acordo com a consultora de língua portuguesa Thaís Nicoleti, colunista da Folha e da Folha Online. Ouça outros podcasts da professora.
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A colunista explica que algumas regras mudaram, como ocorreu com a palavra "micro-ondas", que antes não tinha hífen. "O prefixo 'micro-' acaba com a letra 'o' e o substantivo 'ondas' começa com a letra 'o'. Para evitar essa colisão de duas letras iguais, usamos o hífen."
A mesma regra vale para o prefixo "mega-": se a palavra seguinte começar com a vogal "a", haverá hífen, como em "mega-apagão. Se as palavras subsequentes começarem com "r" ou "s", ocorrerá a duplicação da letra, como em "megarreforma" e em "megassena".
De acordo com Nicoleti, o nome da loteria deveria ter sido registrado com dois "esses", pois essa grafia já era válida no sistema ortográfico anterior. Fica, então, a pergunta: por que o nome da loteria é grafado com hífen?
"Essa é realmente uma boa pergunta, afinal essa grafia nunca foi certa, nem antes, nem depois da reforma ortográfica. Será que este não é um bom momento para a Caixa Econômica fazer a correção?", questiona a colunista.
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