Frederico Vasconcelos: Juiz De Sanctis é vítima de perseguição, diz entidade
da Folha Online
O juiz federal Fausto Martin De Sanctis está de volta ao noticiário. O magistrado da 6ª Vara Criminal de São Paulo, que mandou o banqueiro Daniel Dantas duas vezes para a prisão durante a Satiagraha, pode ser alvo de investigações propostas pelo corregedor-geral do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, André Nabarrete.
Frederico Vasconcelos, repórter especial da Folha e responsável por um blog que reúne textos investigativos, diz que o fato provocou nova manifestação da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) em apoio a De Sanctis.
"Em nota assinada pelo presidente da entidade, Fernando César Baptista de Mattos, a Ajufe diz que o juiz é vítima de perseguição do corregedor", relata Vasconcelos. Ouça outros podcasts com o jornalista.
Em julho do ano passado, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, revogou por duas vezes a prisão de Dantas. Para Nabarrete, a segunda prisão do banqueiro foi ilegal, pois descumpriu ordem do STF, que, poucas horas antes, havia garantido a sua soltura.
De acordo com Vasconcelos, Nabarrete é tido como magistrado muito próximo da vice-presidente do TRF-3, desembargadora Suzana Camargo. Ela também esteve envolvida nos fatos que se seguiram à prisão de Dantas.
"Suzana é alvo de representação criminal na Procuradoria Geral da República oferecida por De Sanctis, por conta do telefonema em que, segundo o juiz, dizendo-se preocupada com a reação de Gilmar Mendes, ela tentou convencê-lo a reverter a decretação da prisão de Daniel Dantas", informa o jornalista.
Essa representação foi revelada por De Sanctis em entrevista concedida ao jornalista Kennedy Alencar, no programa "É Notícia". Ao blog de Vasconcelos, o magistrado confirmou que "a representação se destinou à Procuradoria-Geral da República, visando apurar eventual crime contra a honra".
Questionado se haveria impedimento para conduzir investigações contra o juiz da Satiagraha, diante da proximidade com a vice-presidente, Nabarrete negou eventual constrangimento. "A desembargadora e eu não somos próximos. Integramos a TRF-3 e trabalhamos durante alguns anos na 5ª turma", disse.
Nabarrete afirma que sua atuação na corregedoria "sempre se norteou pelo princípio da estrita legalidade". "Apresentei propostas de instauração de processo administrativo disciplinar contra vários juízes na minha gestão. A apreciação é reservada ao Órgão Especial do Tribunal", declara o corregedor.
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