Eliane Cantanhêde: Castelões e casarões
da Folha Online
O Congresso Nacional teve uma semana tumultuada. Lançamento de frente parlamentar anticorrupção, disputa pela presidência da Comissão de Infraestrutura, entrega de cargo do diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, e o aparecimento do deputado Edmar Moreira (DEM-MG) ao plenário da Casa, "sumido" havia um mês.
Neste podcast, a colunista da Folha e da Folha Online Eliane Cantanhêde relembra os assuntos que movimentaram a vida dos congressistas em Brasília. Ouça outros podcasts com a participação da jornalista.
Na terça-feira (3), foi lançada uma nova frente parlamentar anticorrupção, organizada pelos deputados Arnaldo Jardim (PPS-SP), Fernando Gabeira (PV-RJ), Gustavo Fruet (PSDB-PR), Raul Henry (PMDB-PE) e Rita Camata (PMDB-ES). Segundo Jardim, a intenção é discutir formas de fiscalizar os fundos de pensão, apoiar a extinção do foro privilegiado para os congressistas e o voto aberto em todas as decisões, exceto na eleição da direção da Casa.
No dia seguinte, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) venceu a petista Ideli Salvatti (SC) na disputa pela presidência da Comissão de Infraestrutura, uma das mais importantes da Casa. Collor foi eleito com 13 votos contra dez recebidos por Ideli, numa disputa que dividiu aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o grupo de Ideli.
Pela tradição do Senado, a comissão deveria ficar com o PT --quarta maior bancada. Mas o PTB de Collor --dono da quinta maior bancada-- conseguiu derrotar o PT com a ajuda de Renan e José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado.
"O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), chamou de "aliança espúria" o acordo firmado entre os dois partidos. "Cá para nós, aliaça espúria mesmo é essa aliançona toda da qual o próprio PT faz parte. Por isso é que a gente tem que insistir muito em reforma política", diz Cantanhêde.
Em outro episódio, o ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, entregou o cargo esta semana após ser acusado de ter escondido da Justiça a propriedade de uma casa avaliada em cerca de R$ 5 milhões. Segundo reportagem da Folha, Agaciel usou o irmão, o deputado João Maia (PR-RN), para ocultar o imóvel. Ele diz que é inocente.
Quem reapareceu na Câmara depois de quase um mês foi o deputado Edmar Moreira (DEM-MG). O parlamentar foi notificado na segunda-feira (3) pela corregedoria da Câmara para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de uso irregular da verba indenizatória --no valor mensal de R$15 mil.
Moreira sumiu de Brasília depois de renunciar aos cargos de corregedor-geral e segundo vice-presidente da Câmara sobre uma série de acusações. Entre as denúncias contra ele, está o fato de não ter declarado a existência de um castelo no interior de Minas, no valor estimado em R$ 25 milhões.
"Eles se foram dos cargos mas continuam numa boa. E continuam seus castelões e seus casarões", declara Cantanhêde.
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