Coreia do Norte endurece discurso para conseguir vantagens de outros países
da Folha Online
As ameaças da Coreia do Norte de entrar em guerra, caso os Estados Unidos ou a Coreia do Sul interceptem o satélite que pretende lançar em breve, são uma maneira de conseguir mercadorias de outros países.
A avaliação é de Gunther Rudzit, doutor em ciência política e especialista em Segurança Internacional pela Universidade de Georgetown, coordenador do curso de relações internacionais da FAAP e do Ibmec-SP.
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Segundo o professor, o governo norte-coreano usa dessas artimanhas porque está praticamente falido. Ele ressalta que a Coreia do Norte obtém vantagens sempre após a descoberta ou ameaça de retomar o programa nuclear coreano e de tensas negociações.
"É uma economia que não consegue exportar e não tem um fluxo de moeda estrangeira para conseguir manter suas importações de petróleo e alimentos. E que conseguiu nos últimos 20 anos extrair concessões da Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos através de chantagens."
A tensão em torno do lançamento do satélite norte-coreano começou no final de fevereiro. Pyongyang diz que o foguete faz parte de seu programa espacial pacífico. Nesta quarta-feira, o Ministério do Exterior da Coreia do Norte acusou os EUA de se preparar para uma guerra contra o país. Para Washington e a Coreia do Sul, o lançamento do satélite é um disfarce para um míssil de longo alcance.
Rudzit diz que essa tensão é uma oportunidade para o presidente norte-americano, Barack Obama, mostrar que sabe lidar com questões de segurança nacional. "A percepção é de que se trata de mais uma situação de chantagem e para um governo que foi acusado pelos republicanos de ser fraco em matéria de segurança nacional, Obama tentaria formar uma imagem de punho firme", completa.
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