Psiquiatra traça perfil dos atiradores do massacre de Columbine
VANESSA TEODORO
da Folha Online
Em 1999, dois estudantes assassinaram 12 colegas de escola e um professor no colégio Columbine, em Littleton (Colorado), antes de se suicidarem. Os adolescentes Eric Harris, com 18 anos na época, e Dylan Klebold, de 17 anos, foram os autores dos crimes.
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Apesar de ser cúmplices, os dois jovens se mataram após o crime por razões distintas, segundo o psiquiatra clínico Carlos Von Hübner, professor da Faculdade de Medicina da PUC (Pontifícia Universidade Católica).
De acordo com o médico, Eric tinha um comportamento semelhante ao de um psicopata, indivíduo que tem consciência do que está fazendo, mas não tem percepção do sentimento alheio. Para Hübner, Eric era o mais cruel da dupla e tirou a própria vida para livrar-se da punição por seus atos.
"Ele se mata para não sofrer. Ele sabe que aquilo que fez resultaria em prisão perpétua ou em pena de morte", explica. Já Dylan, dependente de Eric emocionalmente, sofria de um quadro crônico de depressão, que pôde ser constatado em sua página pessoal na internet. "O suicídio é uma consequência trágica natural da depressão quando ela não é tratada", explica.
O professor afirma que para desvios de personalidade, como os desses garotos, não existe medicamento inibidor nem avaliação clínica que possa evitar um trágico desfecho final, como o assassinato de pessoas inocentes e a morte dos próprios atiradores.
"Até hoje não se conseguiu achar nenhum trauma que seja suficientemente grave e que explique a conduta desses dois meninos. Aparentemente, existe uma formação anormal de personalidade que faz com esses indivíduos 'se lixem' pelo código de convivência comum", avalia.