Pessoas só aceitam a morte quando corpos são identificados, diz psicoterapeuta
VANESSA TEODORO
da Folha Online
A noção de morte para os familiares de pessoas envolvidas em um acidente em que há poucas chances de haver sobreviventes, como o do Airbus da Air France, fica comprometida quando os corpos não são localizados.
"É como se nós regredíssemos para o mundo da magia e [não] acreditássemos naquilo que está escancarado, que todos nós sabemos, que é impossível alguém estar vivo, a essa altura, no mar", explica o psicoterapeuta Haroldo Lopes.
O especialista explica que os familiares das vítimas de uma tragédia em que os corpos estão desaparecidos passam por três etapas antes do sepultamento de seus mortos.
A primeira é a fase da revolta. De acordo com Lopes, nesse momento a pessoa questiona o motivo do acontecimento e porque ela está vivendo essa situação. Ela também fica abalada pelo fato de não ter tido tempo de se despedir e de fazer reparações.
"As pessoas chegam a se revoltar contra Deus e se sentem culpadas", diz o especialista. Depois vem um processo de tristeza profunda, em que há um conscientização da finitude do ente querido. Por último, há o período da aceitação, em que a pessoa se convence de que é natural as pessoas morrerem.
"A morte é algo tão violento para todos nós que deixamos de pensar, e a verdade é que ela sempre está perto da gente. Lidar com a morte é muito difícil, é a finitude que o homem evita pensar", declara.
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