Ex-obeso precisa de apoio psicológico para aceitar "novo corpo"; ouça relatos
VANESSA TEODORO
da Folha Online
Após se submeter a uma cirurgia de redução de estômago devido à obesidade, a pessoa ganha uma nova aparência. Mesmo alcançando o objetivo desejado, o paciente deve receber acompanhamento psicológico no pré e no pós-operatório, para se adaptar ao novo corpo, explica Paulino Alonso, gastroenterologista do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos.
Cirurgia de redução de estômago
Juliana, 24, pesava 109 Kg e, atualmente, tem 73 Kg. Ela --que não quis ter seu sobrenome e profissão identificados na reportagem-- passou por esta cirurgia há dois anos e diz que ainda é difícil acreditar que era obesa. "Eu não me enxergo mais como uma pessoa operada. Tanto que, quando vejo fotos do passado, eu não me reconheço. É uma coisa muito estranha", declara.
Juliana diz que o acompanhamento psicológico a ajudou a compreender quais os fatores "desencadearam" o aumento do peso quando era mais nova. "Eu nunca fui gorda quando eu era adolescente, mas as pessoas me tachavam assim na escola, porque eu tenho 1.77 m e sempre fui maior do que todas as meninas. Parece que desde aquela época eu fui incorporando isso com outras coisas pessoais", avalia.
"O importante é a pessoa entender que não basta emagrecer, é necessário se "desidentificar" com o corpo obeso, para que a autoimagem se atualize no ritmo das mudanças que esse corpo está vivendo", explica a psicanalista Dirce de Sá Freire, coordenadora do curso de especialização de transtornos alimentares da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).
Segundo a especialista, a terapia no pré-operatório consiste em explicar para o paciente que ele passará por um processo que vai mexer muito emocionalmente. "Os pacientes que têm mais sucesso cirurgicamente são aqueles que se mantém em processo terapêutico depois da cirurgia também", afirma.