Por trás da imagem de rei do pop havia uma figura trágica; ouça análise
da Folha Online
Por trás da imagem mitológica de Michael Jackson se escondia uma figura trágica, assim como nos casos dos músicos Elvis Presley e Janis Joplin. O escritor Eduardo Oyakawa, pós-graduado em psicologia social pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e professor de sociologia na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) lembra dos processos de pedofilia e o desprezo que o astro enfrentou no passado.
"Agora não, isso é muito simbólico. As multidões tendem a sacrificar suas vítimas para divinizá-las. É um processo de criação de deuses." O especialista diz que a comoção mundial em torno da morte do músico se deve, em grande parte, à humanização que o astro adquiriu, neste momento, com a divulgação dos problemas que enfrentava.
"Agora vem à tona que o pai de Michael Jackson o batia e que o chamava de feio. Agora vem em mente que ele era um menino que nasceu muito pobre, que foi cerceado da sua infância para trabalhar para a família e para o pai. O homem que sofreu uma queimadura no rosto e teve que fazer fazer cirurgias por causa disso", comenta.
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O professor diz que a morte torna realmente Michael Jackson um deus pop, como Elvis e John Lennon. "Era preciso que ele tivesse morrido de fato aos 50 anos e solitariamente para que o imaginário coletivo o alçasse ao panteão dos deuses", analisa.