Medo de contrair gripe suína altera comportamento da população; ouça psiquiatra
VANESSA TEODORO
da Folha Online
Após a confirmação de casos de gripe suína --denominada oficialmente A (H1N1)-- no Brasil, o medo de contrair a doença por contato com outras pessoas aumentou. O psiquiatra Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), diz que o receio em frequentar lugares aglomerados, por exemplo, está relacionado à frequência com que se fala do número de infectados no país.
"Não acho que seja também o caso de não se preocupar, mas a preocupação em excesso acaba causando algumas distorções que, raramente, vão proporcionar ganhos em termos de saúde pública", afirma.
Segundo o psiquiatra, ainda não há necessidade de os brasileiros usarem máscaras ao saírem de casa, tampouco tomar medicamentos antivirais. Para ele, adotar cuidados básicos de higiene, como lavar as mãos, é mais efetivo para evitar a doença.
"Se você imaginar que o vírus é microscópico, a máscara vira um tipo de tela e o vírus passaria sem a menor dificuldade. Na situação em que está o Brasil, não há o menor sentido em se usar máscara. O medo nos faz ter atitudes que modificam o comportamento e, de tempos em tempos, temos que avaliar se isso é mesmo necessário", diz o médico.
