Livro explica a história do Brasil entre as décadas de 20 e 40; leia capítulo
da Folha Online
Leia a seguir o capítulo e introdução do último livro de uma série de cinco livros (cada um abrangendo duas décadas) sobre a história do Brasil no século 20: "A História do Brasil no Século 20: 1920-1940", assinado por Oscar Pilagallo.
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| "A História do Brasil no Século 20: 1920-1940", da Publifolha |
As duas décadas da história do Brasil abordadas no segundo volume retratam um período conturbado, marcado pela Revolução de 30. O livro aborda a crise da República Velha, com o crescimento do movimento tenentista e a derrocada das oligarquias regionais, até a chegada de Getúlio Vargas ao poder, e continua pelas revoltas dos anos 30 - a Revolução Constitucionalista de 1932, a Intentona Comunista de 1935 e o golpe de Estado de 1937, que funda o Estado Novo.
Oscar Pilagallo é jornalista, editor da série "Cadernos EntreLivros", colaborador da Folha e "Valor Econômico", e autor de "A história do Brasil no Século 20", "O Brasil em Sobressalto" e "A Aventura do Dinheiro".
Como o nome indica, a série "Folha Explica" ambiciona explicar os assuntos tratados e fazê-lo em um contexto brasileiro: cada livro oferece ao leitor condições não só para que fique bem informado, mas para que possa refletir sobre o tema, de uma perspectiva atual e consciente das circunstâncias do país.
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Confira a introdução do "Folha Explica A História do Brasil no Século 20: 1920-1940":
Um charuto gigante surgiu no céu do Rio de Janeiro em maio de 1930. Era o dirigível "Graf Zeppelin" - a quintessência da tecnologia alemã - em sua viagem inaugural à capital do país. Para os brasileiros, no entanto, que aplaudiram incrédulos as manobras desse monstro voador de mais de 200 metros e quase 60 toneladas, era bem mais do que o primeiro vôo regular entre a América Latina e a Europa. Tratava-se, isto sim, do início de novos tempos. O futuro estava à vista.
Símbolo de tudo o que se considerava moderno, o "Graf Zeppelin" bem que poderia servir de marco para o fim de um ciclo no Brasil. Por uma dessas coincidências que, em retrospecto, acrescentam significados insuspeitados aos eventos, sua aparição antecipou o começo de um novo período histórico. Os estrangeiros que desembarcaram no país nos vôos seguintes logo perceberam que mudanças radicais estavam em curso. O Brasil vivia um período pré-revolucionário. Dois meses depois do primeiro pouso do dirigível, foi assassinado o governador da Paraíba, João Pessoa, episódio deflagrador da Revolução de 30.
Embora seja impróprio comparar avanços tecnológicos a processos políticos, o paralelo aqui traçado é defensável na medida em que dele se quer extrair apenas um ponto em comum a ambos os casos: o sentido de ruptura com o passado.
A Revolução de 30, que pôs fim à República Velha, é o eixo principal deste livro. Talvez o mais importante acontecimento no Brasil do século 20, essa revolução divide ao meio o período abordado. Se o país de 1940 guarda pouquíssima semelhança com o de 1920, isso se deve em grande parte à Revolução de 30 - para o bem e para o mal.
Até ilustres intelectuais que militaram a favor do novo regime deixaram registradas suas dúvidas de primeira hora. O poeta Carlos Drummond de Andrade, que em sua Minas natal integrou o grupo que combateu as forças leais ao governo, comentaria em verso: "Um novo, claro Brasil / surge, indeciso, da pólvora". Num tom mais coloquial, seu amigo paulista Mário de Andrade anotou, em crônica de dezembro daquele ano, a frase que para ele mais sintetizou a revolução. Foi dita por um soldadinho gaúcho a um condutor de bonde que fazia questão de receber pelo bilhete: "Pois então nós viemos libertar São Paulo e inda você cobra passagem da gente!"
A reação dos artistas coloca no centro dessa história a pergunta sobre o sentido da Revolução de 30, o principal assunto do capítulo 3. Quanto aos antecedentes imediatos, são tratados no segundo capítulo, dedicado às revoltas tenentistas, que engrossaram o caldo revolucionário dos anos 20. A revolução era não apenas política, mas também estética - e não por acaso o livro começa com o movimento modernista, que, embora sem ter-se preocupado com aspectos ideológicos, ajudou a tornar mais crítica a percepção da sociedade sobre a ordem vigente.
Os últimos três capítulos descrevem os principais desdobramentos da Revolução de 30. No capítulo 4, o leitor encontrará subsídios para entender a natureza ambígua da reação paulista de 1932, que sobrepõe elementos progressistas e reacionários. O capítulo 5 é a crônica de uma revolução anunciada: o fracassado levante comunista de 1935. A Intentona, como é pejorativamente chamada a desastrada ação do Partido Comunista Brasileiro, está na raiz do Estado Novo, tema do último capítulo.
Referindo-se ao período que deságua na ditadura iniciada em 1937, Graciliano Ramos escreveu: "Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer".
Para um tempo inaugurado sob o signo da libertação (do jugo oligárquico, da fraude eleitoral, da dicção lusitana), o Brasil que se insinua na imagem do escritor perseguido pela polícia de Getúlio Vargas parecia não querer cumprir seu destino. Mas qual seria ele nos anos 20 e 30? É o que se verá neste volume.
"Folha Explica A História do Brasil no Século 20: 1920-1940"
Autor: Oscar Pilagallo
Editora: Publifolha
Páginas: 96
Quanto: R$ 18,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha
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