Publifolha
31/03/2008 - 11h30

Saiba como funciona curso de medicina

da Folha Online

Divulgação
Guia é dedicado àqueles que sonham em estudar medicina
Guia é dedicado àqueles que sonham em estudar medicina

Após muito esforço para passar no vestibular de medicina, o estudante encontrará pela frente mais estudo. Aqueles que pretendem ser um médico devem se acostumar com a idéia de que nunca deixarão de estudar muito, o que exige muito trabalho e dedicação.

Leia abaixo trecho do livro "Médico", da Publifolha, com as fases e as matérias dos cursos de medicina.

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O curso, na prática

Para os que já se imaginam salvando vidas assim que entram na faculdade, é bom ir com menos sede ao pote. De acordo com o currículo montado por grande parte das escolas de ensino superior do país, o atendimento efetivo ao paciente só ocorre no final do 5º ou 6º anos, quando os estudantes já atuam com um pouco mais de autonomia no hospital-escola.

O curso de medicina dura em média seis anos e desde o início é ministrado por meio de um currículo rigoroso e muito específico, com aproximadamente 70% de disciplinas obrigatórias e 30% optativas. Em boa parte das escolas a grade curricular se divide em três ciclos: o básico, que compreende o 1º e o 2º anos; o clínico, que engloba o 3º e o 4º anos; e o internato, entre o 5º e o 6º anos.

Assim como em outras instituições, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo o aluno estuda nos dois primeiros anos matérias básicas como anatomia, fisiologia e bioquímica, que servirão de apoio para o aprendizado subseqüente. Nas aulas de anatomia, os alunos conhecem a estrutura e os aspectos do corpo humano.As atividades ocorrem em sala de aula e nos laboratórios, onde acontecem as tão comentadas dissecações de partes de cadáveres. Durante as aulas o estudante põe literalmente a mão na massa, assistido e orientado pelos professores. O objetivo é que aprenda como funcionam os órgãos e os sistemas, como base para o seu desenvolvimento nas disciplinas clínicas e cirúrgicas que virão nos anos seguintes.

"Para mim, as aulas mais chocantes não são as de anatomia, mas as de patologia, nas quais acontecem as autópsias. Enquanto um grupo acompanha o processo no laboratório da faculdade, com um cadáver de uma pessoa que morreu no dia anterior, todos os outros alunos assistem a tudo num telão na sala de aula", conta Cinthya Taniguchi, aluna do 3º ano da Faculdade de Medicina da USP, representante dos estudantes na graduação e membro da diretoria do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz. Nas aulas de fisiologia, os alunos descobrem como funcionam os sistemas do organismo, em aulas teóricas e práticas, em classe e nos laboratórios. As aulas de bioquímica, que complementam o primeiro ciclo do curso de medicina, tratam das características e propriedades das células, dos processos metabólicos e de como estes estão relacionados às doenças.

Nessa fase, as atividades também são desenvolvidas em sala de aula e nos laboratórios da escola.

O ciclo básico: aproximação com a comunidade

Em busca de um contato mais humanístico entre os estudantes de medicina e a população, em algumas universidades, como a USP, os alunos iniciam, ainda no primeiro ciclo de estudos, um treinamento para atuar como agentes comunitários em unidades básicas de saúde. A disciplina, que leva o nome de Atenção Primária em Saúde, é obrigatória.

Algo parecido também se desenvolve na Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp, que desde 2003 põe em prática um programa chamado Interação Comunitária, para estimular o contato dos alunos de 1º e 2º anos com a comunidade. Trata-se de um trabalho de promoção da saúde e prevenção de doenças feito pelos estudantes de medicina nos bairros da cidade de Botucatu. As ações ocorrem em escolas, creches, centros comunitários e asilos e contemplam a população mais carente. Outra atividade do programa, também exercida pelos alunos, é o acompanhamento da vida de bebês, do nascimento até os 2 anos de idade.A ação inclui visitas periódicas às crianças, além do atendimento às mães.

Ainda com o objetivo de melhorar a relação médico-paciente, as escolas de medicina têm se preocupado em mostrar aos estudantes uma visão cada vez mais próxima da realidade. Na Faculdade de Botucatu, a disciplina Introdução à Medicina estimula os alunos novos a debater questões que abordam a realidade social do país, as dificuldades existentes no exercício da profissão e a relação médico-paciente. "Muitos ficam frustrados quando confrontados com a realidade da profissão no Brasil, porque boa parte dos alunos que ingressam nos cursos de medicina tem uma visão um tanto glamourizada da medicina, em que se vêem médicos famosos, vestidos com elegância, atendendo em seus belos consultórios uma clientela abastada", observa Eliana Goldfarb Cyrino, professora doutora do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu e coordenadora do curso de medicina da instituição. "Não que isso não possa acontecer num determinado ponto da carreira, mas, muito provavelmente, todos terão de 'ralar' bastante em plantões intermináveis em hospitais públicos, atendendo a população carente, antes de chegar lá", acrescenta.

O ciclo clínico: a hora da decisão

No segundo ciclo - clínico -, que compreende o 3o e o 4o anos, os alunos aprendem, nas aulas de semiologia e propedêutica, a realizar exames físicos completos em pacientes. As lições são dadas nos consultórios e ambulatórios dos hospitais-escola e dos centros de saúde conveniados. Os estudantes descobrem como analisar e interpretar exames laboratoriais, eletrocardiogramas, raios X, tomografias, ressonâncias magnéticas, entre outros, para depois relacioná-los com os dados clínicos obtidos durante a anamnese (com base nas lembranças do paciente, o histórico desde os sintomas iniciais até a observação clínica) e o exame físico. Nesse período também se abordam os conceitos fundamentais das doenças mais comuns - hipertensão, diabetes, infecções nas vias respiratórias, problemas de saúde da mulher, entre outras -, seus principais sintomas e noções de tratamento. As atividades são desenvolvidas em sala de aula, laboratórios, enfermarias e ambulatórios do hospital-escola, além de postos de saúde e programas para a comunidade.

"É nessa fase do curso que muitos alunos enfrentam crises de consciência, por achar que estão usando seus pacientes como cobaia para aprimorar conhecimentos", explica a terceiranista de medicina da USP Cinthya Taniguchi. Esses problemas são objeto de discussão nos grupos de apoio psicológico aos estudantes mantidos nas escolas de medicina.

O ciclo do internato: dedicação total

O 5º e o 6º anos completam o ciclo de formação básica da escola de medicina e acontecem no sistema de internato, em que o aluno precisa dedicar um número ainda maior de horas aos estudos para aprimorar o raciocínio para o diagnóstico e todas as habilidades que a profissão requer. As aulas são ministradas em atividades práticas por profissionais de diferentes especialidades, no hospital-escola e nos ambulatórios.Visitas a pacientes e consultas também farão parte das tarefas, agora acrescidas de mais responsabilidade.Ainda nesse período ocorrem os estágios e os plantões nos serviços de emergência do hospital- escola, onde se aprendem, na prática, os procedimentos de atendimento emergencial e cirúrgico. Em algumas instituições, o aluno já poderá fazer partos normais e pequenas suturas, entre outros atendimentos.As intervenções mais delicadas são realizadas por profissionais formados, acompanhadas pelos alunos.

No final do 6º ano, o graduado será registrado no Conselho Regional de Medicina e estará apto ao exercício da profissão médica, como clínico geral.

"Médico"
Autor: Publifolha
Editora: Publifolha
Páginas: 120
Quanto: R$ 21,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha