Salvador é tema e personagem de romance juvenil de Antonio Risério
da Folha Online
Salvador, a primeira capital do Brasil, já decifrada por Jorge Amado e ritmada por Caetano, Gil e companhia. Agora, a capital da Bahia ganha mais uma história que disseca e revela a alma atual da cidade por um conhecedor de sua estrutura, Antônio Risério, que conversou com a Folha Online a respeito de seu novo livro, lançado hoje pela Publifolha.
| Divulgação |
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| "A Banda do Companheiro Mágico" |
Em "A Banda do Companheiro Mágico", o autor conta a história de um grupo de adolescentes em Salvador e suas descobertas, frustrações, paixões. Tudo regado a muito tempero baiano. O livro é o primeiro da série Cidades Visíveis, que apresenta narrativas infanto-juvenis ambientadas nas cidades em que vivemos.
É a primeira incursão de Risério na ficção. "Claro que como adolescente, escrevi de tudo e sempre quis escrever ficção". A oportunidade de se lançar na literatura veio para o antropólogo a convite do escritor Arthur Nestrovski.
Risério, escritor, poeta e antropólogo, conhece a cidade com maestria. O intelectual baiano de voz pausada e comentários firmes transmite ao livro a dinâmica da cidade e mostra que Salvador é mais diversa do que geralmente vemos pela televisão ou pela música. Logo de início, o autor deixa claro qual o narrador da obra. "As pessoas discutem muito a questão do narrador, quem é o narrador? Sou eu", afirma Risério, em tom irreverente, sobre a escolha no processo de escrita.
O processo de criação do livro foi curto, "veio de um jato", disse o autor. Ele baseou seus personagens na turma de uma sobrinha que está na faixa etária para a qual pensou o livro: de 14 a 17 anos.
Uma das personagens, Rebeca Rabinovitz, que também possui uma inspiração real, é descrita como uma "judiazinha baiana". Com ela Risério entra na antiga história do estabelecimento judaico na Bahia. "A coisa judaica aqui é muito forte, os cristãos novos estão na Bahia desde o século 16". Ele cita como exemplo o governador do Estado, Jaques Wagner.
Outro personagem interessante de inspiração real é Ravi, descrito como um belo mulato. O nome do personagem, assim como o adolescente real, deriva do músico indiano Ravi Shankar, pai da cantora Norah Jones. A questão da diversidade se faz presente no livro, pois Risério leva uma Bahia que diverge dos estereótipos para o leitor. "O Brasil está muito cartão-postal, a Bahia está muito cartão-postal, tudo está muito cartão-postal".
Em relação aos estereótipos, ele provoca e afirma: "Salvador é a cidade onde mais chove no país". O clima chuvoso do livro também tenta desmistificar um local tomado por muito como "sol e praia" o tempo inteiro.
Dois dos temas mais importantes para o autor no livro, que podem ser trabalhados em sala de aula ou grupos de jovens, são a "degradação cultural e social", nas palavras de Risério, e a contracultura.
O autor já publicou um estudo, não-ficção, sobre Salvador, é baiano, e implantou em seu Estado as fundações Gregório de Matos e Ondazul, além do hospital Sarah Kubitschek. Ele também fez o projeto para a implantação do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Além disso, Risério é compositor e tem uma vida política ativa, começou com movimento estudantil, passou pelos núcleos de estratégia e coordenação das duas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência e foi assessor do Ministro da Cultura, Gilberto Gil.
"A Banda do Companheiro Mágico"
Autor: Antônio Risério
Editora: Publifolha
Páginas: 94
Quanto: R$ 22,00
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha
