Publifolha
17/01/2008 - 09h01

Aprenda as diferenças entre "porque" e "por que"

da Folha Online

O uso do "porquê" pode confundir muita gente. Mas o professor Pasquale Cipro Neto explica como empregar corretamente estas palavras no livro "Inculta e Bela 4", da série "Inculta e Bela", da Publifolha.

Reprodução
Professor fala sobre concordância, acentuação e ortografia em livro
Professor fala sobre concordância, acentuação e ortografia em livro

Leia abaixo trecho do livro em que o professor explica como fazer o uso do "porquê".

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Por que, porque, por quê, porquê (1)

No último texto, para explicar por que não se emprega o ponto de interrogação nas perguntas indiretas, acabei tratando de alguns casos do emprego de "por que" e "porque". Vimos que o ponto de interrogação pouca diferença faz na hora de tomar a decisão de juntar ("porque") ou separar ("por que"). A velha história de que "na pergunta é separado e na resposta é junto" só pode ter alguma utilidade quando se sabe que a pergunta pode ser direta ou indireta.

No primeiro parágrafo deste texto, temos um exemplo de pergunta indireta, o que explica o emprego de "por que" e não de "porque". Já localizou o trecho? Em "...para explicar por que não se emprega o ponto de interrogação nas perguntas indiretas", temos a seguinte pergunta, indireta: "Por que não se emprega o ponto de interrogação nas perguntas indiretas?". Esse "por que", equivalente a "por qual razão", "por que razão", é separadíssimo, independentemente da presença ou da ausência do ponto de interrogação.

Veja outros exemplos dessa ocorrência de "por que": "No governo, ninguém sabe por que (por qual razão) se chegou ao caos no abastecimento de energia elétrica"; "O senador não disse por que (por qual razão) se envolveu no episódio da violação do painel do Senado"; "Luxemburgo finge não compreender por que (por qual razão) é irregular o uso do ponto eletrônico". Em nenhum desses casos há ponto de interrogação, embora em todos eles haja pergunta indireta e, conseqüentemente, o emprego de "por que".

É importante notar que em alguns casos a grafia define o sentido. Quando se escreve "O ministro não explicou por que não compareceu", informa-se que o ministro não explicou por qual razão deixou de comparecer. Quando se escreve "O ministro não explicou porque não compareceu", informa-se que o ministro não explicou o que se esperava que explicasse por uma razão muito simples: não compareceu.

Outro caso importante do emprego de "por que" ocorre quando o "que" é pronome relativo. Nesse caso, "por que" acaba equivalendo a "pelo/a qual" ou "pelos/as quais". Veja este exemplo, da canção "Esquinas", de Djavan: "Só eu sei as esquinas por que (pelas quais) passei".

Por fim, é imperativo citar um caso sofisticado do emprego de "por que": "Opto por que sejam cassados". Temos aí a preposição "por", regida por "optar" (se alguém opta, pode optar por algo), e a conjunção integrante "que", que introduz a oração que funciona como complemento do verbo "optar". Se esse período composto fosse transformado em simples, teríamos algo como "Opto pela cassação deles", em que "pela" resulta de "per" (forma original da preposição "por") + "a".

E quando se grafa "por quê"? Quando essa expressão introduz pergunta (direta ou indireta) e ocorre pausa depois dela: "Ninguém sabe por quê"; "Você não vai? Por quê?". Nesse caso, o "que" é monossílabo tônico e, por terminar em "e", é acentuado.

O espaço está acabando; o assunto, não. Termino-o no próximo texto. É isso.

"Inculta e Bela 4"
Autor: Pasquale Cipro Neto
Editora: Publifolha
Páginas: 128
Quanto: R$ 29,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha