Publifolha
18/01/2008 - 09h01

Conheça o papel da carne na alimentação mundial, seus problemas e sua importância

da Folha Online

Os meios para manter a população mundial alimentada estão no livro "Os Alimentos do Futuro", da "Série Mais Ciência", publicada pela Publifolha. A publicação aborda as causas e efeitos da modificação genética dos alimentos, proliferação de doenças em animais e uso excessivo de produtos químicos na agricultura.

Confira abaixo um trecho sobre a importância e os problemas causados pelo consumo de carne.

Divulgação
Livro orienta sobre orgânicos, transgênicos e nutrição global
Livro orienta sobre orgânicos, transgênicos e nutrição global

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O PAPEL DA CARNE

Pessoas no mundo todo valorizam pratos à base de carne, seja de vaca, porco, cabra ou ovelha. Animais considerados exóticos no Brasil viram em outros países requintadas iguarias à mesa, como alce americano, veado chinês Père David (atualmente, um grande negócio na Nova Zelândia), cavalo (França), porquinho-da-índia (Peru), alpaca, lhama, vicunha e guanaco (América do Sul). Coelho é servido tanto em Malta como na China e no Brasil.

Aves comestíveis agradam ao paladar de indivíduos das mais diversas culturas. No primeiro lugar do ranking estão frangos e patos; perus, galinhas-d'angola e gansos vêm em segundo. Girafas, antílopes e macacos, inimagináveis na cozinha brasileira, acabam matando a fome de inúmeras populações - mas, com freqüência, a matança tem alto impacto sobre a espécie.

PROTEÍNA DA PECUÁRIA

Um hectare onde vivem vacas ou ovelhas produz apenas 1/10 da proteína fabricada em um hectare de trigo ou soja. E, ainda assim, boa parte dessas safras é usada para alimentar animais de criação. O gado parece, muitas vezes, competir com o homem: consome a comida que poderíamos estar ingerindo. Por isso, em vez de alimentar a população prevista de 10 bilhões em 2050, teremos de gerar comida suficiente para nutrir 14 bilhões de bocas, porque o gado se insere nesse pacote. Além disso, há outro complicador: nos países em desenvolvimento as pessoas estão consumindo 5% mais carne por ano. Se a tendência continuar, aumentará a pressão sobre a produção de outros alimentos.

HERBÍVOROS E ONÍVOROS

Os animais de criação se dividem em dois grupos: os herbívoros, que comem plantas, e os onívoros, que consomem qualquer alimento. Para os herbívoros, como vacas e ovelhas, a principal fonte de energia é a celulose: o material duro que forma os "esqueletos" das plantas. Eles se alimentam principalmente de capim, encontrado nas encostas de montanhas e em áreas semidesérticas ou quase pantanosas. Fica impossível cultivar plantações produtivas nesses lugares - os animais representam um bônus porque usam a terra que seria estéril. E mesmo quando o gado é criado em terreno fértil, como em rodízios tradicionais,seu esterco recupera a fertilidade do solo.

Porcos e aves de criação são onívoros. Comem os mesmos tipos de alimento que os seres humanos - mistura de vegetais e de carne - e são tradicionalmente nutridos com excedentes da safra e com a popular lavagem (restos de comida fervidos). Esses animais servem, também, para fertilizar a terra em que são criados. Os porcos, por exemplo, são ótimos cultivadores e desenterram ervas daninhas com o focinho.

A FUNÇÃO DAS PROTEÍNAS

Ainda que as pessoas consigam viver sem produtos animais, várias populações estariam em posição precária sem alimentos desse grupo. Eles fornecem 35% do consumo total de proteínas de toda a humanidade (58% na América do Norte, 21% na África). Embora os animais comam uma boa parcela de grãos e feijões de soja, 75% de seu alimento ainda provém do capim e de outras forragens que não seriam aproveitados pelo homem.

A proteína de animais é de alta qualidade. Proporciona o balanço certo de todos os aminoácidos essenciais e tem uma importância nutricional específica. Produtos desse gênero contêm nutrientes em quantidades adequadas, inclusive vitaminas, como a B12, e minerais, como o cálcio e o zinco, além de gorduras estruturais essenciais.

Nos vegetais, o teor desses componentes é bem menor. Sem os produtos animais seríamos privados de proteína e energia. Além disso, pesa contra o vegetarianismo o fato de que a maioria das pessoas prefere carne, ovos e derivados do leite - poucos aceitariam uma dieta concentrada em vegetais e grãos. No mundo inteiro, ela não é a melhor opção, até porque uma agricultura dedicada puramente às plantações de legumes e verduras não faria o melhor uso dos recursos naturais. Desperdiçaria colinas e locais pantanosos (onde é difícil cultivar plantações, mas é fácil criar ovelhas, cabras e vacas) e os inevitáveis excedentes, atualmente consumidos por porcos e aves.

"Os Alimentos do Futuro"
Autor: Colin Tudge
Editora: Publifolha
Páginas: 72
Quanto: R$ 16,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha

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