No cinema, "Macunaíma" de Grande Otelo ganha feições sociológicas
da Folha Online
Em 1969, o diretor Joaquim Pedro de Andrade filmou "Macunaíma", baseado na obra de Mário de Andrade. O filme contou com a participação de atores como Grande Otelo, Paulo José, Milton Gonçalves, Joana Fomm e Hugo Carvana.
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| Livro desvenda Macunaína, o herói sem nenhum caráter |
Na época do lançamento, a censura impôs 16 cortes de seqüências inteiras de nus. Após negociações, este número foi reduzido para três. O filme foi lançado em sua versão censurada no Rio de Janeiro, no dia 03 de setembro.
O livro "Folha Explica - Macunaíma", da Publifolha, apresenta a obra "Macunaína", de Mário de Andrade, que conta a vida do herói sem nenhum caráter, personagem síntese do homem brasileiro e comenta o filme de Joaquim Pedro de Andrade.
Leia abaixo trecho do livro sobre o filme.
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Ainda na década de 1960, Joaquim Pedro de Andrade realiza o filme Macunaíma, transposição muito bem-sucedida do livro. Como mostra Ismail Xavier em sua análise do filme, a história no cinema assume um caráter bem mais decididamente sociológico que no texto.Os três irmãos vão dar na cidade como que por acaso, e não em busca da muiraquitã, o que lhes confere caráter menos aventureiro, sem a motivação da busca, tornando-os mais próximos de "paus-de-arara" sem eira nem beira, perdidos e soltos na cidade grande. Ci, a "marvada", é representada no filme por uma guerrilheira que Macunaíma encontra já na cidade, o que dá também a ela significado político mais direto.
Entre várias outras diferenças, uma das mais importantes está no fato de Macunaíma não transformar-se em estrela na transcrição para o cinema, desfazendo assim uma das imagens mais contraditórias do romance, que intriga o leitor sobre a vitória ou derrota da busca do herói de nossa gente. No filme, o herói morre engolido pela Uiara, e na última cena aparece uma lagoa manchada de sangue, cobrindo a tela do mesmo vermelho com que o filme se inicia, lembrando os dois silêncios que dão início e fim à narrativa literária. O vermelho da vida e o da morte.
Mas, mesmo com todas as distinções, o filme é fiel ao texto literário, até pelo fato de traí-lo em alguns trechos. Macunaíma, por ser obra aberta, em permanente processo, só se mantém se também puder ser modificado, reinterpretado. Como Proteu, o herói se metamorfoseia o tempo todo, dentro e fora da narrativa, e só é possível compreendê-lo na medida em que o tornamos vivo, compatível com outros tempos e espaços.
"Macunaíma"
Autor: Noemi Jaffe
Editora: Publifolha
Páginas: 80
Quanto: R$ 18,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha
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