Publifolha
12/04/2008 - 16h10

Veja início da aventura "Alex Rider Mergulha na Ilha do Esqueleto"

da Folha Online

Em "Alex Rider Mergulha na Ilha do Esqueleto", o terceiro livro da série "Alex Rider" da Publifolha, o jovem espião é enviado para a Ilha do Esqueleto para enfrentar um perigoso general russo que tem um plano para reescrever a história do mundo.

Reprodução
Alex Rider é enviado à Ilha do Esqueleto para enfrentar general russo frio e maluco
Alex Rider é enviado à Ilha do Esqueleto para enfrentar general russo frio e maluco

Leia abaixo um trecho do primeiro capítulo do livro, o início desta grande aventura.

*

ESCURIDÃO

A noite desceu rápido sobre a Ilha do Esqueleto.

O sol pairou por instantes no horizonte e, então, se pôs. Repentinamente, surgiram as nuvens - primeiro vermelhas,depois lilás,prateadas, verdes e pretas, como se todas as cores do mundo estivessem sendo sugadas para dentro de um enorme caldeirão.Uma ave marinha planava solitária por sobre os mangues, e as cores dela se misturavam ao fundo confuso do céu. Aí vinha tempestade.

O monomotor Cessna Skyhawk SP circulou duas vezes antes de aterrissar. Era um tipo de avião que passava despercebido nesse lado do mundo. Por isso mesmo fora escolhido. Se alguém tivesse a curiosidade de verificar o número de registro sob as asas, saberia que o avião pertencia a uma agência de fotografia com sede na Jamaica.Não era verdade. Essa agência não existia e já estava escuro demais para tirar fotos.

Havia três homens no avião - todos morenos,com jeans desbotados e camisas largas desabotoadas.O piloto tinha cabelo preto comprido, olhos castanhos profundos e uma cicatriz fina que atravessava de alto a baixo uma das faces. Conhecera os dois passageiros naquela mesma tarde. Eles se apresentaram como Carlo e Marc, mas o piloto duvidou de que os nomes fossem verdadeiros.Sabia que a viagem deles começara havia muito tempo, em algum lugar da Europa oriental. Sabia que esse vôo curto era a etapa final do trajeto. Sabia o que levavam. Aliás, já sabia demais.

O piloto olhou para os mostradores no painel de controle. A tela iluminada do computador o avisava da aproximação de uma tempestade. Isso não o preocupava.Nuvens baixas e chuva lhe davam proteção. As autoridades ficavam menos vigilantes durante as tempestades. Mesmo assim, ele estava nervoso.Voara para Cuba muitas vezes, mas nunca para esse lugar. E nessa noite ele preferia ter ido a qualquer outro ponto.

Cayo Esqueleto. Ilha do Esqueleto.

Lá estava a ilha, espraiando-se à sua frente,com trinta e oito quilômetros de comprimento e nove de largura máxima.O mar à volta,que até pouco tempo antes era de um azul resplandecente e maravilhoso, escureceu de súbito,como se alguém tivesse desligado um interruptor. A oeste, o piloto conseguia distinguir as luzes cintilantes de Puerto Madre, a segunda maior cidade do arquipélago.O aeroporto principal ficava mais ao norte,perto da capital, Santiago. Mas não era para lá que o piloto se dirigia. Ele empurrou o manche, e o avião guinou para a direita, circulando por sobre as florestas e os mangues que cercavam o antigo aeroporto, abandonado, na ponta mais distante da ilha.

O Cessna estava equipado com sensor térmico, semelhante ao que usam os satélites espiões americanos. O piloto ligou uma chave e olhou para o mostrador. Apareceram alguns pássaros,na forma de pontinhos vermelhos.Havia outros pontos que pulsavam no mangue. Crocodilos, ou talvez peixes-bois.E um único ponto a cerca de vinte metros da pista. O piloto se virou para falar com o sujeito chamado Carlo,mas nem teria precisado. Carlo já estava reclinado sobre o seu ombro, olhando para a tela.

Carlo fez um gesto afirmativo. Conforme combinado, apenas um homem esperava por eles. Qualquer pessoa que estivesse escondida num raio de uns cem metros da pista teria sido captada. Podiam aterrissar em segurança.

O piloto olhou pela janela e avistou a pista. Era uma faixa de terra bruta junto ao litoral,aberta em meio à floresta e correndo paralela ao mar.O piloto não a teria visto não fossem as duas fileiras de lâmpadas acesas no chão, que indicavam onde pousar.

O Cessna mergulhou. No último minuto, a aeronave foi atingida por uma rajada repentina de vento úmido,que parecia ter soprado para testar o sangue-frio do piloto. Ele nem piscou; no instante seguinte, as rodas tocaram o chão, e o avião sacolejou pela pista, parando na metade, entre as duas fileiras de luzes. O piloto ficou feliz de parar ali. Os mangues -arvoredos fechados, meio encobertos pela água estagnada- chegavam quase à beirada da pista. Mais alguns metros na direção errada, e uma roda poderia ficar presa. Seria o suficiente para inutilizar o avião.

O piloto desligou as chaves.O motor parou e a hélice de duas lâminas reduziu a velocidade até estacar.Ele olhou pela janela.Havia um jipe estacionado perto de uma das construções,e era ali que se encontrava o homem - o ponto vermelho que aparecera na tela.O piloto se virou para os passageiros.

"Lá está ele."

O mais velho dos dois homens assentiu. Carlo tinha cerca de trinta anos e cabelo preto encaracolado. Não fizera a barba, que lhe tingia o queixo de cinza. Ele se voltou para o outro passageiro."Marc? Está pronto?"

O sujeito que dizia se chamar Marc podia ser o irmão caçula de Carlo.Não chegava aos vinte e cinco anos e, ainda que tentasse esconder, estava apavorado.O suor lhe escorria pelo rosto e brilhava com a luz verde do painel de controle.Espichou-se para trás e pegou uma pistola automática, uma Glock de dez milímetros, de fabricação austríaca.

"Alex Rider Mergulha na Ilha do Esqueleto"
Autor: Anthony Horowitz
Editora: Publifolha
Páginas: 224
Quanto: R$ 24,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 e no site da Publifolha