Livro traz curiosidades sobre a língua portuguesa, leia trecho
da Folha Online
O livro "Nossa Língua Curiosa", da Pubifolha, escrito por Pasquale Cipro Neto, traz 365 esclarecimentos, um para cada dia do ano, sobre dúvidas gramaticais, grafia de palavras, curiosidades sobre a origem de expressões, entre outros dados.
Leia abaixo algumas informações do mês de abril.
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| "Nossa Língua Curiosa" apresenta informações sobre o português |
O "picapau" de Monteiro Lobato
Quem é que não conhece "O Sítio do Picapau Amarelo", do genial Monteiro Lobato? Pois bem, no título da obra, a palavra "picapau" é grafada sem hífen, mas nos dicionários e no "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa" essa palavra aparece com hífen ("pica-pau").
Trata-se de um substantivo composto, formado pelo verbo "picar" e pelo substantivo "pau". Convém lembrar que o plural de substantivos compostos que têm essa formação é feito com a flexão do segundo elemento: "os pica-paus".
Quirera" ou "quirela"?
"Quirera de milho" ou "quirela de milho"? Parece que a forma mais usada pelo povo é "quirela". Tanto faz. Existem as duas formas: quirera e quirela. A palavra é brasileira, de origem tupi.
Essas palavras normalmente são usadas para nomear o milho quebrado que se dá às aves, mas muita gente também as usa em relação ao arroz ou outros cereais.
E nada de confundir "quirela" com "querela". Além de ter aplicação específica em linguagem jurídica, "querela" significa "discussão, pendência".
Os nomes de cidades estrangeiras
Muitas pessoas me perguntam o motivo pelo qual escrevemos "Buenos Aires", mas não escrevemos London, e, sim, "Londres".
Qual o critério a ser adotado? Lamento muito, mas não há critério rigoroso. De fato, em alguns casos, traduzimos. As cidades italianas de Milano, Torino e Venezia, por exemplo, viram "Milão", "Turim" e "Veneza".
Em outros casos, ficamos com a forma original, o que ocorre com Saint Louis, e Bordeaux (que em Portugal é Bordéus), por exemplo.
O que dizer, então, do bizarro caso de "Nova York" (metade em português, metade no original)? Em tempo: segundo o "Vocabulário Onomástico da Língua Portuguesa", que tem força de lei, deve-se escrever "Nova Iorque".
O superlativo de "louvável"
Tiradentes é um dos tantos personagens louváveis da nossa história. E, por falar em "louvável", qual é o superlativo desse adjetivo? "Louvável" vem do latim laudabilis, de que também se originou "laudável".
"Louvável" é o mesmo que "laudável". Pertencem a essa família os termos "laudatório", "laudativo", "laudabilidade", "laudatício", entre outros.
Um discurso laudatório, por exemplo, é feito em louvor de alguém ou algo. "Laudabilíssimo" pode ser o superlativo de "laudável" ou de "louvável". Como se vê, um mesmo adjetivo pode apresentar dois superlativos.
Nesses casos, umas das formas (considerada erudita) costuma apoiar-se no latim, enquanto a outra se vale da base portuguesa. É por isso que "laudabilíssimo" pode ser o superlativo erudito de "louvável", que, como vimos, vem de laudabilis.
Outros exemplos de dois superlativos são "paupérrimo" e "pobríssimo" (de "pobre"), "nigérrimo" e "negríssimo" (de negro), "macérrimo" e "magríssimo" (de "magro"), "dulcíssimo" e "docíssimo" (de "doce") etc.
"Nossa Língua Curiosa"
Autor: Pasquale Cipro Neto
Editora: Publifolha
Páginas: 248
Quanto: R$ 24,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou no site da Publifolha
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