Veja como fazer viagens intercontinentais
da Folha Online
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| Livro mostra tudo o que é preciso saber para viajar por muito tempo |
Viagens para outros países oferecem a oportunidade de conhecer outros povos e diferentes culturas. Agora já imaginou como seria fazer uma viagem por vários continentes?
O "Guia Fuja por um Ano", da Publifolha, traz todas as orientações necessárias para quem quer viajar por muito tempo e até mesmo para quem quer conhecer vários continentes de uma vez só. Além disso, mostra como foi a experiência de um professor que viajou da Europa à Ásia.
Leia abaixo trecho do livro que explica como realizar uma viagem entre continentes.
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ENTRE CONTINENTES
Você lerá a seguir sobre as principais atrações de cada continente. Mas pode fazer uma viagem combinando continentes. Como a que o professor de história Newton Duarte Molon fez em 2005, de Moscou, Rússia, na Europa, a Ulan Bator, Mongólia, na Ásia, em uma semana. Na Transiberiana, a mais longa ferrovia do mundo, ele passou por nada menos que oito fusos horários. Para Newton, o mais interessante foi ver as paisagens se modificando tão rapidamente. O trem pára várias vezes ao dia, mas só por 20 minutos, tempo somente para esticar um pouco as pernas, comprar alguma comida (como peixe salgado) ou artesanato (como matrioshkas). Ao atravessar os montes Urais, o trem entra na Ásia. Na estação de Irkutsk está um dos pontos altos da aventura: o Lago Baikal, na Sibéria. Tem 636 quilômetros de comprimento, 80 de largura e quase 2 de profundidade. Com 26 ilhas, é responsável sozinho por 20% da água líquida do planeta. Pode-se ir a Pequim pela Transiberiana.
ROTEIROS SABÁTICOS
Leia as informações a seguir e comece a montar seu roteiro, ponto por ponto; isso será vital ao planejamento de tempo e custos.
A sabedoria desceu a três coisas: o cérebro dos francos -europeus-, as mãos dos chineses e a língua dos árabes. Nesse ditado antigo, poderíamos acrescentar o corpo dos africanos e nativos das Américas e Oceania e estaria explicada parte das atrações das viagens mundo afora. A outra parte você encontrará nas páginas a seguir, o que facilitará a montagem de um roteiro ponto por ponto. Passar um ou dois dias num lugar periférico é razoável. As descrições não pretendem ser detalhadas e os mapas são meramente ilustrativos; servem apenas como apoio à sua decisão. Usamos alguns termos em inglês, o idioma do viajante. Definida a área de viagem, compre um mapa e cerque-se de mais dados, obtidos em guias, jornais, internet.
Não-lugares
Numa viagem sabática, tão importante quanto passar pelos lugares especiais que relacionamos nas próximas páginas é circular pelos não-lugares. Esse conceito se refere normalmente a locais de passagem, mas aqui nos apropriamos do termo para designar qualquer lugar não famoso, não visitado. E, às vezes, o não-lugar mostra ser um lugar e tanto. É o caso da aldeia de Sapanta, no norte da Romênia; lá há o Cimitir Vesel (Cemitério Alegre), que tem cruzes e sepulturas de cores brilhantes, com desenhos de flores e versos satíricos. A idéia é mostrar que a morte é feliz, pois os problemas se vão.
Calendário
É difícil planejar uma viagem de longo prazo em função de um evento, mas tenha em mente que o verão (que, no hemisfério norte, cai em julho e agosto) concentra a maioria deles. Isso vale até para um fenômeno natural como as noites brancas, sem noite, em São Petersburgo (entre 11 de junho e 2 de julho) e também para o concorrido encontro de bandas de metais sérvias Guca Festival (entre fim de agosto e início de setembro), a poucas horas de Belgrado, na Sérvia.
VIAGENS INTERCONTINENTAIS
Se você perguntar, em Portugal, como se pega um táxi, vão lhe dizer "vai à rua e estica o braço". Se perguntar na Inglaterra qual é o próximo trem para Glasgow, vão lhe informar sobre o trem que tem destino final em Glasgow dali a duas horas, não sobre o que sai em dez minutos com parada em Glasgow. A interpretação ao pé da letra do que é dito é uma das semelhanças entre ingleses e portugueses, assim como uma de suas diferenças é a reação a um esbarrão -se você esbarra num inglês, é ele que lhe pede desculpas; se um português esbarra em você, ele é capaz de ainda praguejar contra você. Se a comparação é um aprendizado e uma diversão em países tão próximos como Inglaterra e Portugal, imagine comparar continentes diferentes! Não há dúvida de que você pode fazer um sabático explorando apenas uma cidade ou uma região. Mas se puder explorar um país, um continente ou vários, o potencial de comparações será bem maior. Viagens intercontinentais não são difíceis; a chave é saber quais são os melhores pontos de transição.
Europa e Ásia Como Londres é o paraíso das passagens promocionais, a capital inglesa é o portão de entrada natural para a Ásia e, em especial, para a Índia, para onde há muitas opções, dado o grande número de indianos que moram no Reino Unido (e a Índia foi colônia britânica). Da Índia você vai de ônibus para o Nepal e pode pegar vôos regionais, trens ou ônibus, para outros pontos asiáticos, em grandes cidades como Bangalore. Em Bangcoc, capital da Tailândia, também há farta oferta de vôos regionais, assim como em Hong Kong e Seul, na Coréia do Sul.
Europa, Ásia e África A viagem por esses três continentes é muito mais freqüente do que se imagina. Muitos viajantes vão da Espanha para o norte da África, especialmente para Marrocos, Tunísia e Egito e, às vezes, pegam um avião de Londres para a África do Sul. Se você está no Egito ou mesmo na Grécia, na Europa, Israel e Turquia estão perto. Da Turquia você pode ir para a Jordânia com facilidade, conhecer a vizinha Georgia (ex-URSS, não abordada aqui) ou pegar um avião para a Índia (já é meio caminho andado). Outro caminho da Europa para a Ásia é Áustria-Hungria-Bulgária- Turquia.
Oceania e Ásia A Austrália não está longe demais da Malásia ou das Filipinas; esses países servem para a transição intercontinental. Mas você também pode ir de Sydney direto para Bangcoc, Tailândia. De Bangcoc, há pacotes aéreos interessantes para lugares como Tóquio.
Américas e extremos Cresce o número de viajantes que percorrem as Américas do sul ao norte por meio rodoviário. A existência da rodovia Panamericana do Chile para cima (ainda que com interrupções) facilitou a integração. Chegando aos Estados Unidos, há grande oferta de vôos promocionais para poder conhecer a Costa Leste e o lado oriental do Canadá (Ontário e Québec). Além da diversidade de paisagens e culturas, esse é um dos melhores meios de conhecer Pólo Sul e Pólo Norte na mesma viagem. (Teoricamente é possível, no verão -julho-, cruzar o Pólo Norte do Alasca, EUA, à Noruega ou Islândia -mas as dificuldades são muitas.)
"Guia Fuja por um Ano"
Autor: AF Guias de Viagem
Editora: Publifolha
Páginas: 200
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha
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