Escolha de parceiro e do tipo de sexo reduzem risco de Aids
da Reuters, em Nova YorkEscolher um parceiro sexual que tenha apresentado resultado negativo no teste para detectar o HIV é uma das formas mais efetivas de proteção contra Aids.
No entanto, outras medidas também podem reduzir substancialmente a transmissão do vírus, informaram pesquisadores dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos Estados Unidos.
Os cientistas usaram dados de pesquisas anteriores e modelos matemáticos para quantificar os riscos de contrair o vírus associados a tipos diferentes de atos sexuais e a táticas de prevenção de doenças.
Eles verificaram que medidas bastante conhecidas -como usar preservativos ou manter relações sexuais de risco mais baixo- reduziram a possibilidade de contrair o HIV. Combinar esforços de prevenção funcionou ainda melhor, principalmente para os homens homo e bissexuais.
A menor probabilidade de contrair infecção por HIV ocorre quando uma pessoa escolhe um parceiro que teve resultado negativo para o vírus e usa preservativo para fazer sexo oral, afirmou a equipe de Beena Varghese, dos CDCs, em Atlanta (Geórgia).
O maior risco é verificado para quem pratica sexo anal com um parceiro HIV positivo sem usar preservativo. Nesse cenário, a chance de contrair o vírus é de cinco em mil, de acordo com os resultados publicados em edição recente da revista Sexually Transmitted Diseases.
Os pesquisadores lembraram que esse índice pode parecer baixo, mas reflete o risco enfrentado por uma pessoa a cada vez que faz sexo, o que torna elevada a possibilidade ao longo do tempo.
Como esperado, o uso de preservativo reduziu em cerca de 20 vezes a chance de infecção tanto para homens quanto para mulheres homo e heterossexuais, indicou o trabalho. Individualmente, o sexo oral sem proteção foi ligado ao risco mais baixo de contrair HIV, enquanto a penetração vaginal foi considerada de alto risco, e o sexo anal, mais arriscado ainda.
Logicamente, manter relações sexuais com um parceiro HIV positivo aumentou substancialmente a probabilidade de infecção. O mesmo ocorreu para alguém que faz sexo com um parceiro cujo estado clínico em relação ao vírus é desconhecido. O oposto foi verificado para a pessoa que tem relação sexual com alguém que é comprovadamente negativo.
Usar apenas uma medida preventiva reduziu significativamente, para homens e para mulheres heterossexuais, o risco de infecção pelo HIV a um índice que ficou entre dois e dez em 10 milhões a cada ato sexual, segundo estimativas dos cientistas.
Para homens homo e bissexuais, que enfrentam chance maior de contrair o vírus, podem ser necessárias duas medidas de proteção para atingir redução semelhante na possibilidade de transmissão, verificaram os pesquisadores.
A equipe lembrou que os resultados podem ser "intuitivamente óbvios", mas que é importante entender os diferentes riscos associados a comportamentos distintos.
"Esperamos que as pessoas usem as informações para optar por uma combinação de comportamentos de redução de risco que sejam capazes de manter", concluíram os autores.

