Magia de Homem-Aranha completa 40 anos na Marvel
da Reuters, em São PauloHomem-Aranha, o personagem criado em 1962 por Stan Lee, está com tudo no quesito popularidade. Nem Batman, Super-Homem ou os mutantes X-Men conseguiram se igualar a esse herói, capaz de arrecadar milhões de dólares em sua trajetória cinematográfica.
Quem acha, porém, que o sucesso de "Homem-Aranha, o Filme", que estréia no Brasil nesta sexta-feira, deve-se apenas aos espantosos efeitos especiais, está enganado: o personagem tem uma legião de fãs mundo afora por conta de seu grande carisma.
Como explicar a coqueluche causada pelo jovem mascarado, dono de poderes extraordinários, mas com uma timidez incrível quando se trata de declarar seu amor a uma colega de escola?
"Esse é o herói que poderia ser você", respondeu certa vez Stan Lee, ao criar o lema de Homem-Aranha.
Ao contrário de Batman, que vive numa cidade imaginária (Gotham City), e de Super-Homem, que nasceu em outro planeta (Krypton), o fotógrafo Peter Parker é um nova-iorquino do Queens, com os mesmos problemas e ansiedades de um rapaz comum da sua idade.
Como escreveu o colunista Frank Houston, da revista eletrônica "Salon", os personagens criados por Stan Lee para a Marvel, no início dos anos 60, viviam num mundo real. "A Marvel imaginava como pessoas normais poderiam reagir se repentinamente ganhassem superpoderes, com todos os conflitos e responsabilidades pertinentes", teorizou.
E é o que ocorre com o fracote Parker, picado por uma aranha submetida acidentalmente aos efeitos da radiação durante uma feira de ciências (no filme, o aracnídeo é fruto de engenharia genética). Ele passa a desenvolver habilidades extraordinárias, deslocando-se rapidamente com a ajuda de teias gigantescas produzidas por glândulas de seu corpo.
Mas, ao tirar a máscara e voltar à rotina de sua identidade secreta, ele é um rapaz normal, que poderia ser o leitor do gibi, sentado num vagão do metrô.
O super-herói fez sua estréia no número 15 da revista "Amazing Fantasy", em agosto de 1962. Numa história escrita por Lee e desenhada por Steve Ditko, a origem do personagem é descrita em apenas seis páginas. Só em março de 1963 o herói ganhou um gibi exclusivo.
Nesses 40 anos, já foram publicados mais de 2 mil títulos com o personagem, que virou desenho animado (de 1967 a 1969 pela rede ABC) e seriado de TV (de 1977 a 1979, pela CBS).
Stan Lee é hoje um senhor de 80 anos, que continua em plena atividade. Stanley Lieber, seu verdadeiro nome, entrou para a Marvel em 1939, pelas mãos de uma prima, casada com o proprietário da empresa, Martin Goodman.
Na revista de número 3 do Capitão América, escreveu um texto de duas páginas sobre quadrinhos e assinou com o pseudônimo de Stan Lee. "Eu achava que um dia iria escrever o grande romance americano e não queria associar meu nome com aquelas histórias bobas", afirmou posteriormente.
Na Marvel, trabalhou com o editor Joe Simon e o desenhista Jack Kirby, os criadores de Capitão América. Aos 20 anos, tornou-se editor e redator-chefe. Seu trabalho com Kirby, a partir dos anos 60, deu uma verdadeira guinada na indústria editorial de quadrinhos.
Em 1961, a dupla lançou o Quarteto Fantástico, formado por Homem Fantástico, Mulher Invisível, Tocha Humana e O Coisa. "Eu tentei dar a esses personagens mais autenticidade, torná-los reais. Não há ninguém que não tenha problemas. Quando estava fazendo meus gibis, (o presidente John) Kennedy, que parecia ter uma vida perfeita, levou um tiro na cabeça. Todos têm problemas e mágoas secretas."
Os anos 60 foram férteis para a Marvel, com a criação de heróis como O Incrível Hulk e os X-Men. Em 1972, Stan Lee criou os primeiros heróis negros, Black Panter, The Falcon e Luke Cage, sem dúvida identificados com a luta pelos direitos civis.
Há quem veja no vilão Doctor Doom, inimigo do Incrível Hulk, fonte de inspiração para Darth Vader, da saga de "Guerra nas Estrelas". Como o personagem de George Lucas, Doom também usa uma máscara metálica e veste uma capa negra, além de emitir uma luz esverdeada pela ponta dos dedos, como a espada luminosa que faz tanto sucesso nas mãos dos cavaleiros Jedi da saga de ficção científica.
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