Parlamento europeu proíbe cosméticos testados em animais
da Reuters, em EstrasburgoO Parlamento Europeu aprovou hoje a proibição de cosméticos testados em animais, numa decisão que poderá levar a uma disputa comercial global.
A assembléia européia decidiu também proibir as importações de todos os produtos testados em animais no exterior.
"A maioria das pessoas concorda que temos tipos suficientes de batons, perfumes e sabonetes. Não precisamos torturar centenas de milhares de animais para conseguir os cosméticos", disse Dagmar Roth-Behrendt, do bloco social-democrata alemão.
Somente deputados franceses, preocupados com o possível impacto em empresas como a L'Oreal, votaram contra.
Apesar da decisão, governos europeus são contra a proibição de importação de todos os cosméticos testados em animais fora do bloco de 15 países.
A decisão final precisa ser acertada em negociações entre o Parlamento Europeu e os governos nacionais. Se aprovada a nova lei, os testes na UE estarão proibidos a partir de 2005 e a importação, banida provavelmente em 2007.
Por outro lado, parlamentares dizem que proibir os testes na UE sem proibir a importação somente causaria a exportação da crueldade com animais para outros países.
Efeitos colaterais
Todos os tipos de cosméticos, incluindo cremes para as mãos, batons e perfumes, são testados em animais para a identificação de efeitos colaterais.
Apesar de alguns testes serem feitos em tubos de ensaio, os animais são usados para a detecção de perigos como câncer, reações alérgicas e danos aos órgãos reprodutivos.
Segundo grupos de defesa, cerca de 30 mil animais de laboratório são usados em testes de novos cosméticos todos os anos na União Européia. Eles dizem que os testes são cruéis e desnecessários.
As indústrias dizem que a proibição não atinge produtos e ingredientes já aprovados, mas poderá prejudicar sua capacidade de inovação.
As indústrias dizem que a proibição não atinge produtos e ingredientes já aprovados, mas poderá prejudicar sua capacidade de inovação.
Governos da UE acham que a proibição de importações de fora do bloco pode criar problemas na Organização Mundial do Comércio.
O comissário para Indústria da UE, Erkki Liikanen, disse a deputados que seria melhor procurar apoio dos membros da Organização Mundial do Comércio antes de adotar as medidas.
Os entraves entre o parlamento, governos e indústrias forçaram a UE a adiar por mais de 10 anos a proibição de testes em animais. O bloco concordou originalmente com esta política na década de 80.


