Igreja indeniza deficientes mentais vítimas de abusos sexuais
da Reuters, em MelbourneA ordem católica dos Irmãos de São João anunciou hoje que indenizará em US$ 2,1 milhões 24 deficientes mentais que sofreram abusos sexuais de religiosos, na Austrália.
"A ordem reconhece que alguns residentes (de sanatórios) sob seus cuidados foram abusados sexualmente por alguns irmãos", disse um comunicado dos religiosos, a respeito do acordo extrajudicial.
Algumas das vítimas eram adolescentes na época dos fatos. Cerca de 20 frades cometeram os abusos, em três sanatórios mantidos pela ordem há mais de 30 anos. Segundo um porta-voz, vários dos frades acusados já morreram e outros pediram para deixar a ordem ou foram expulsos.
Peter Gordon, advogado das vítimas, disse que cada uma vai receber entre US$ 85 mil e US% 700 mil norte-americanos, aproximadamente. "Claramente os danos que essas pessoas sofreram são significativos e representam uma quebra de confiança", afirmou. Mesmo assim, Gordon elogiou a ordem por tomar a iniciativa do acordo, em vez de tentar defender os frades. As negociações haviam começado em dezembro de 2000.
A igreja australiana está sendo criticada por tentar "comprar" as vítimas. No sábado (8), ela publicou anúncios em jornais pedindo perdão pelos abusos sexuais, mas se defendendo da acusação de silenciar as vítimas com dinheiro.
O esforço foi prejudicado porque no dia seguinte um jornal de Sydney publicou um documento em que a vítima se comprometia, ao receber a indenização, a não divulgar detalhes do pagamento ou dos abusos. A igreja disse que essa cláusula foi deixada por engano pelos advogados, mas já não está mais vigorando.
A igreja confirma que desde 1996 já pagou mais de US$ 5 milhões para 101 vítimas de abusos no Estado de Vitória. Cada Estado tem seu próprio sistema de indenizações, e por isso o valor total é desconhecido.
O arcebispo de Sydney, George Pell, disse que nos últimos seis anos cerca de 90 padres e frades foram condenados na Austrália por abuso sexual, e ele não sabe se esses casos são tão graves quanto os recentes escândalos de pedofilia surgidos no clero norte-americano.
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