Bispos dos EUA decidem expulsar padres pedófilos
da Reuters, em DallasBispos norte-americanos reunidos em Dallas (Texas) disseram hoje que os escândalos de abusos sexuais envolvendo religiosos são "um câncer para a igreja" e adotaram uma política rígida para expulsar qualquer padre que tenha molestado uma criança.
O arcebispo Harry Flynn, que preside um comitê especial para esse assunto, disse que a Igreja decidiu mudar as regras anunciadas na semana passada, que garantiam o perdão a alguns padres pedófilos. Agora a ordem é ter "tolerância zero".
"Nenhum padre ou diácono que tenha abusado de um menor pode continuar seu ministério. Como bons pastores, atentos a quem servimos, não podemos fazer menos", disse Flynn. "Este é um momento definitivo para nós como bispos."
Outra mudança em relação ao documento da semana passada é que agora a igreja vai divulgar quais dioceses não cumprem as regras. O texto deve ser votado hoje e seguir para a sanção do Vaticano.
Cerca de 300 bispos compareceram à reunião. Muitos deles viam com reservas a tese da "tolerância zero", mas dois dias de debates, pressão da opinião pública e depoimentos de vítimas desequilibraram a balança.
A versão anterior previa o perdão para padres que cometeram abuso apenas uma vez e se arrependeram. Os escândalos de pedofilia que abalam a credibilidade da igreja nos EUA crescem como uma bola de neve desde janeiro, quando se descobriu que vários bispos preferiam transferir seus subordinados pedófilos de paróquia, em vez de denunciá-los.
Quatro bispos e mais de 250 padres já perderam seu emprego desde então. O escândalo ultrapassou fronteiras e fez vítimas também na Polônia, Irlanda, Canadá e Austrália.
"Em meu nome e de todos os bispos, expresso minhas sinceras desculpas a cada um de vocês que sofreu abusos sexuais", disse Wilton Gregory, presidente da Conferência Episcopal, no pedido mais humilde de perdão feito por um líder da Igreja desde o início do escândalo.
Essas palavras mostram que Gregory e seus colegas sabem que precisam se empenhar muito para recuperar a credibilidade do clero católico no país, mesmo com o anúncio das novas medidas. "Entendo a relutância deles [os fiéis] em acreditar em nós", disse o bispo Anthony Bosco. "Peço para que esperem e vejam. Não pensem que somos todos uma fraude, não só isso, não imaginem que todos os bispos são iguais."
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