Gravadora Trama promove sua primeira turnê pela Europa
da Reuters, em São PauloA gravadora paulistana Trama vai jogar suas crias no mundo no mês que vem, mais especificamente na Europa, numa turnê de um mês para divulgar os trabalhos de cinco artistas.
Max de Castro, Patricia Marx, Wilson Simoninha, Mad Zoo e Jair Oliveira irão rodar por nove países acompanhados de uma única banda de dez músicos. Entre os locais das apresentações estão a lendária boate Favela Chic, em Paris, o Bar Rumba, em Turim, e os festivais Dunya, na Holanda, e Womex, em Essen.
"Desde que a gente abriu a Trama, há quatro anos, sempre tivemos o interesse de ser uma multinacional da música brasileira", disse o presidente da gravadora, André Szajman.
O momento turbulento da economia do país, que fez o dólar chegar a mais do que o triplo do real, não parece assustar a gravadora, tida como independente.
"Não podemos engessar a empresa. E se o dólar chegar a cinco reais? É um investimento grande realmente, mas acreditamos que vamos ter um bom retorno", disse Szajman, explicando que os gastos principais da turnê são com as passagens aéreas e os hotéis.
"Além disso, os artistas vão ganhar os cachês em reais e temos um apoio da Varig."
No entanto, para os fãs dos astros internacionais lançados pela Trama por aqui, as notícias não são tão otimistas. Szajman contou que a gravadora pretende trazer os suecos do The Hives para tocar no Brasil no ano que vem, mas isso dependerá do comportamento do dólar, visto que o cachê é pago na moeda norte-americana.
Em agosto, a empresa fechou contrato com a distribuidora Stern's, que levará os discos feitos aqui no Brasil para a toda Europa. Apenas em Portugal os CDs serão produzidos localmente em parceria com gravadora Universal.
Esse interesse por cavar espaço na Europa e conquistar um novo público surgiu da própria demanda criada na imprensa européia, nos consumidores e lojistas que, há seis meses, vêm sendo instigados pela equipe de divulgação que a Trama montou em Londres e na Alemanha.
O músico Wilson Simoninha, que acaba de lançar seu segundo CD, "Sambaland Club", contou que já tocou no Japão, nos Estados Unidos e em Cuba, mas que é a primeira vez que recebe o apoio da gravadora para esse tipo de turnê.
"Muitos artistas brasileiros vão tocar no exterior, como a Marisa Monte e o Funk in Lata, mas é uma coisa meio solitária", disse Simoninha em coletiva de imprensa para lançar seu disco.
"Nesse sentido, ter o apoio da Trama é muito bom e pode ajudar a abrir caminho para outras gravadoras daqui e principalmente para a música brasileira."
Em cada boate ou bar que passarem, os cinco músicos irão se apresentar sozinhos, cerca de meia hora cada. O público segue sendo a grande incógnita.
"Imagino que o público terá entre 20% e 30% de brasileiros que moram por lá, mas realmente (a platéia) vai ser uma surpresa", disse Szajman.


