Quênia diz não ter achado ligação entre Al Qaeda e 12 detidos
da Reuters, em MombaçaAutoridades quenianas disseram hoje que não encontraram ligação entre a rede terrorista Al Qaeda e as 12 pessoas detidas sob suspeita de conexão com o ataque contra turistas israelenses e o disparo de mísseis no Quênia.
O Ministro de Segurança Interna do Quênia, Julius Sunkuli, disse que também não foram encontradas conexões entre um espanhol e uma americana detidos com o ataque e que os dois seriam liberados assim que qualquer ligação com o caso tenha sido descartada.
Questionado se a polícia descobriu se algum dos suspeitos detidos tinha alguma ligação com a rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, Sunkuli respondeu: "Não, ao menos por enquanto".

Em referência ao espanhol e à americana, o ministro afirmou: "Até onde chegaram as investigações, eu realmente não acho que eles estejam envolvidos. Quando a ligação estiver totalmente fora de questão, eles serão liberados pela polícia".
Anteontem três militantes suicidas lançaram um carro-bomba contra a recepção de um hotel nas cercanias de Mombaça, no Quênia, de propriedade de um israelense, matando 13 pessoas, incluindo três israelenses. Os três autores do atentado também morreram.
Quase no mesmo instante, dois mísseis foram disparados contra um avião israelense que decolava do aeroporto de Mombaça. A aeronave não foi atingida e nenhum passageiro ficou ferido.
As autoridades americanas disseram ontem que o principal suspeito pela explosão no hotel Paradise era o grupo Al-Itihad al-Islamiya, também conhecido como AIAI ou União Islâmica, cuja base seria a Somália.
Segundo os americanos, a AIAI é um importante grupo radical islâmico na região da África e que tem ligações com a Al Qaeda, de Osama bin Laden, alvo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na guerra contra o terror desde os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, que deixaram cerca de 3.000 mortos.
Os comentários dos Estados Unidos de ontem foram os primeiros a apontar a Al Qaeda e o grupo somaliano desde os ataques, mas as autoridades americanas deixaram claro que ainda era muito cedo para se ter certeza sobre quem era o responsável.
"O modelo se assemelha com o da Al Qaeda", afirmou uma autoridade, que pediu para não ser identificada. Analistas da área de segurança disseram que a aparente coordenação entre os ataques, ocorridos com minutos de diferença, trazem as marcas da rede de Bin Laden.
A Al Qaeda é abertamente acusada dos atentados de 1998 contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia que mataram 224 pessoas, principalmente africanos.
O desconhecido Exército da Palestina afirmou ser os responsável pelos ataques de anteontem em um fax enviado para uma empresa de mídia libanesa. Mas não há confirmação.
Próximo da cidade litorânea de Mombaça, peritos israelenses e americanos vasculham os escombros do hotel e os destroços do carro-bomba dos terroristas.
Mombaça é uma cidade cuja maioria da população é muçulmana. O Conselho Supremo dos Muçulmanos do Quênia (Supkem), uma organização que abriga os islâmicos do país, condenou os ataques e disse que os que estão por trás deles são inimigos do Islã.
"Nos queremos assegurar aos nossos inimigos que os muçulmanos no Quênia continuarão a conviver com outros quenianos de outras religiões como sempre fizeram", disse Abdughafur El-Busaidy ao jornal "East African Standard".
Os sobreviventes israelenses foram levados de volta à Israel em um avião da Força Aérea do país, que levou também os corpos das vítimas israelenses, dois irmãos, de 13 e 15 anos, e um homem de 61 anos.
Parentes dos dançarinos quenianos mortos no ataque acusaram Israel de falhar na ajuda às famílias africanas devastadas pela tragédia. "Só falam dos israelenses mortos. E sobre meu marido, minha família?", questionou Asha Abudu, 36, mãe de oito crianças e que perdeu o marido na explosão.
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