Ódio aos EUA marca festa muçulmana do fim do Ramadã
da Reuters, em Kuala LumpurOs muçulmanos começaram a celebrar hoje o Eid el Fitr [festival que marca o fim do mês do Ramadã], em meio a um crescente sentimento de ódio contra os Estados Unidos e de dúvida sobre seu lugar no mundo.
"O Islã está sob cerco desde 11 de setembro (ataques contra os EUA em 2001). Viramos um saco de pancadas", disse Dzulkifli Ahmad, membro do Comitê Central do partido conservador Islam se-Malaysia.
O xeque Taj Aldin Alhilali, líder espiritual dos 500 mil muçulmanos da Austrália, disse que seria "difícil sorrir" durante a festa.
| Aladin Abdel Naby/Reuters |
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| Milhares de muçulmanos ocupam praça pública no Cairo, Egito, para rezar no 1º dia do Eid el Fitr [festival que marca o fim do mês do Ramadã] |
"Esta é uma época em que as pessoas se transformam em lobos, caçando-se umas às outras, ameaçando seus próprios irmãos. É também uma época triste, com sanções, assassinatos e ameaças de guerra", disse ele em uma nota, referindo-se à possibilidade de um confronto armado entre Estados Unidos e Iraque.
O Eid el Fitr é marcado pelo jejum. Seu início exato varia segundo a região, já que é definido pela posição da lua. Na Arábia Saudita, por exemplo, a festa começou hoje, enquanto em outros países isso só acontece a amanhã.
O Ramadã é um mês sagrado para os muçulmanos, durante o qual os muçulmanos não podem comer, beber ou manter relações sexuais enquanto o sol não se pôr.
Em Jacarta, as autoridades indonésias permitiram que o clérigo Abu Bakar Bashir participasse das orações do Eid el Fitr. Ele é o suposto líder do Jemaah Islamiah [grupo extremista islâmico acusado de manter contatos em outros países do Sudeste Asiático e de ter ligação com a rede terrorista Al Qaeda, liderada por Osama bin Laden]. O grupo também é suspeito de ter praticado os ataques de 12 de outubro em Bali.
Centenas de pessoas, algumas delas com a inscrição mujahidin (guerreiro religioso) estampada na roupa, acompanharam Bashir nas orações, realizadas sob forte vigilância no estacionamento do hospital da polícia.
Em geral, os indonésios, que formam a nação muçulmana mais populosa do planeta, praticam uma forma bastante moderada da religião. Por isso, muitos sentem falta do tempo em que o ditador Suharto controlava os fanáticos com mão-de-ferro. "A polícia não é tão forte agora e dá muita liberdade a esses extremistas", disse o taxista Pak Heri.
Em Cabul, capital do Afeganistão, a polícia disse ter desativado explosivos e granadas na mesquita mais importante da cidade. As autoridades vêm atribuindo ataques na cidade à milícia Taleban e à guerrilha Al Qaeda.
Segundo um canal árabe de TV, o líder do Taleban, mulá Mohammad Omar, escreveu uma carta dizendo que o Afeganistão está "mais caótico" hoje do que antes de os norte-americanos derrubarem o regime islâmico que ele comandava, em 2001. O paradeiro de Omar é desconhecido.
Ele também acusou os Estados Unidos de estarem buscando um pretexto para entrar em guerra contra o Iraque, um dos motivos do crescimento do antiamericanismo no mundo islâmico.
Segundo pesquisa feita pela entidade Pew Research Center em 44 países, a imagem dos Estados Unidos vai piorando continuamente, e em vários países muçulmanos há apoio ao uso da violência em defesa do Islã, inclusive na forma de atentados suicidas.
"Espero que esteja sendo entendida a mensagem de que não estamos lutando contra uma religião, mas contra um grupo de fanáticos que sequestrou uma religião", disse o presidente norte-americano, George W. Bush, ao receber os resultados da pesquisa, divulgada ontem.
Com agências internacionais
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