Mísseis Scud são antiquados, mas efetivos
BRADLEY PERRETTda Reuters, em Cingapura
O Scud é um míssil balístico desenvolvido pelos soviéticos com tecnologia da Segunda Guerra Mundial, mas que ainda mantém uma impressionante capacidade de penetrar em defesas inimigas.
Ontem, um navio com vários desses mísseis foi interceptado no mar da Arábia, aparentemente indo da Coréia do Norte para o Iêmen, segundo o governo dos Estados Unidos.
Muitos países usam Scuds ou mísseis similares, o que constitui uma ameaça especial, já que eles podem ser adaptados para levar armas químicas, biológicas e nucleares.
A versão do míssil fabricada pela Coréia do Norte tem alcance de 550 quilômetros e pode levar até 770 quilos de munição, segundo a Jane's Strategic Weapon Systems, um guia de referência para armamentos.
"Informações não-confirmadas de 1997 (sugerem que) uma versão de alcance mais longo está sendo desenvolvida, com a capacidade reduzida para 300 quilos e o alcance ampliado para 800 quilômetros", escreveu o editor Duncan Lennox no livro.
Os Scuds não são precisos. A Coréia do Norte reconhece que a chance de que ele caia a menos de um quilômetro de seu alvo é de apenas 50%, mas analistas dizem que isso perde importância tática se a carga contiver armas de destruição em massa.
A União Soviética desenvolveu o Scud na década de 1950, aproveitando a tecnologia dos foguetes alemães V-2, lançados sobre o Reino Unido no último ano da Segunda Guerra Mundial.
Analistas dizem que, mesmo sendo tão antigo, ele ainda é um armamento eficiente, já que, como qualquer míssil balístico, o Scud cai muito rápido sobre o alvo, "driblando" os sistemas normais de defesas antiaéreas.
Devido a seu curto alcance, o Scud viaja mais lentamente que os mísseis balísticos intercontinentais, disponíveis para as grandes potências nucleares. Mesmo assim, só Estados Unidos, Rússia e Israel têm sistemas para interceptá-lo.
Durante a Guerra do Golfo, em 1991, os mísseis Patriot norte-americanos eram usados para defender Israel dos Scud lançados pelo Iraque. Mais tarde, especialistas disseram que o Patriot se revelou ineficiente para essa tarefa, mas que uma nova versão, o PAC-3, deve apresentar melhores resultados.
Israel também desenvolveu um sistema contra mísseis balísticos, o Arrow 2. Duas baterias desse tipo de defesa já estão instaladas, e uma terceira está sendo construída. "Fontes israelenses afirmam que o Arrow 2 pode interceptar um Scud a 50 quilômetros de altitude e a cem quilômetros de seu ponto de lançamento", explicou outra publicação da Jane's, a revista mensal Missiles & Rockets.
A Coréia do Norte começou a construir mísseis balísticos na metade da década de 1980. Sua primeira versão do Scud se chamava Hwasong 5 e foi comprovadamente usada pelo Irã em sua guerra contra o Iraque (1980-1988).
O atual modelo norte-coreano é o Hwasong 6, que pesa 6,4 toneladas e, como outros Scuds, pode ser transportado e lançado por um caminhão especial.
Scud é um nome-código adotado no Ocidente para esse tipo de arma. Segundo a versão, a designação correta empregada pelos russos é R-11 ou R-17.
Leia mais notícias de Mundo

