China bloqueia acesso a serviço de hospedagem Blogger
da Reuters, em Pequim (China)A China bloqueou o acesso ao serviço de hospedagem de diários on-line do Blogger, usado por mais de um milhão de pessoas no mundo.
O site www.blogspot.com não poderá ser acessado por usuários a partir de redes chinesas durante uma semana.
"Isso não foi problema técnico", disse Jason Shellen, diretor de desenvolvimento de negócios da Pyra Laboratories, que administra o site Blogspot.com.
Ele afirmou que os usuários não receberam explicação, o que obrigou os seis funcionários da companhia a responderem mensagens de usuários chineses frustrados ao não conseguirem ler as notas que publicavam pelo serviço.
A Pyra não pode afirmar quantos usuários chineses lêem ou publicam seus diários pelo serviço.
A proibição do acesso surge em um momento que um tribunal chinês e um grupo de defesa dos direitos humanos dos Estados Unidos afirmaram que um internauta situado na região de Xinjiang foi indiciado por subversão, um crime que prevê pena de morte.
Tao Haidong, 45, foi preso em julho do ano passado por publicar na internet artigos considerados questionáveis. Ele foi julgado em 8 de janeiro e espera a sentença na capital da província Urumqi, afirmaram o tribunal e o grupo Direitos Humanos na China, na quarta-feira.
O grupo afirmou que a mídia estatal acusa Tao de difamar líderes chineses e afirmar que a economia chinesa está próxima do colapso.
Cerca de 50 milhões de pessoas na China usam a internet, e as autoridades do país exercem uma censura declarada à web e ao conteúdo da mídia para proteger o Partido Comunista, no poder desde 1949.
A polícia da internet, que soma 40 mil homens somente em Pequim, bloqueia o acesso a vários sites de notícias estrangeiros e frequentemente força páginas chinesas a tirarem do ar conteúdo considerado impróprio.
Um representante do Ministério das Comunicações afirma que o bloqueio é para impedir sites pornográficos ou a divulgação de conteúdo que vá contra os interesses do governo.
"O governo chinês nunca diria a sites ocidentais o que publicar ou não. Eles têm liberdade de expressão", disse o funcionário do ministério. "Assim, apenas foi tirado o acesso a eles."

