Reuters
13/12/2001 - 12h37

Gradiente quer 3% do mercado brasileiro de PCs em 2002

da Reuters

A fabricante de eletrônicos Gradiente lançou sua linha de PCs e vai disputar espaço com Metron, Compaq, HP e Itautec, pesos pesados do setor já estabelecidos no país. A companhia investiu R$ 15 milhões na nova linha de computadores e vai destinar a ela outros R$ 20 milhões no próximo ano. O objetivo é chegar ao final de 2002 com cerca de 3% de participação de mercado.

"Esperamos vender 50 mil unidades no ano que vem. Em 2006, queremos ter seis por cento do mercado, ficando entre os três primeiros fabricantes no país", disse o diretor-geral da Gradiente Entertanment, Décio Decaro, em entrevista à imprensa. A Metron e a Compaq dividem a liderança deste mercado.

Para iniciar a fabricação dos PCs foram contratados 200 empregados na unidade da Gradiente que já fabrica videogames, DVDokê —mistura de DVD com videokê— e agora computadores, ampliando o total de funcionários em uma das unidades de Manaus para 600. Incluindo as demais operações, a empresa tem cerca de 1.900 empregados.

Decaro não soube precisar uma data para o retorno dos investimentos, mas disse que a empresa estará satisfeita se isso acontecer em dois anos. "Vai depender das vendas", disse.

O executivo afirmou ainda que a Gradiente pode exportar computadores para os países do Mercosul (composto, além do Brasil, por Argentina, Paraguai e Uruguai) depois do primeiro semestre de 2002, após a consolidação do produto no mercado interno. Ele não descartou a possibilidade de a empresa entrar no mercado de notebooks no futuro.

A Gradiente também conversa com o governo brasileiro para ser fornecedora nos projetos de informatização das escolas, que prevêem a compra de 290 mil máquinas, e do computador popular, voltado à população de menor poder aquisitivo.

"Já estávamos conversando com o governo sobre os dois projetos antes mesmo de lançar os computadores. Houve uma redução na marcha nos projetos, mas temos interesse e vamos sim entrar na briga de preços", disse o diretor-geral.

Os novos itens a serem produzidos pela companhia em Manaus incluem teclados, mouses, caixas acústicas, CPUs e monitores.

O segmento nacional de micros segue na contramão mundial. Enquanto as vendas caem em boa parte do globo, a comercialização de computadores cresce no Brasil. Dados da empresa de pesquisa IDC indicam um crescimento de 11% em unidades vendidas em 2001 na comparação com o ano passado, o que significa 3,4 milhões de computadores.

As primeiras notícias de que a Gradiente começaria a produzir PCs circularam no final de outubro, quando ela já tinha aprovação da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) para atualizar uma de suas três fábricas na capital do Estado do Amazonas.

A empresa entra no setor de micros com apenas dois modelos, equipados com processadores Intel, um Celeron de 900 MHz e um Celeron de 1 GHz, ao preço de R$ 2.799 e R$ 3.899, respectivamente.

A companhia, que atua nos segmentos de áudio e vídeo, telecomunicações, entretenimento e segurança eletrônica, saiu de um prejuízo líquido de quase R$ 99 milhões em 1997 para um lucro líquido de cerca de R$ 472 milhões no ano passado, sobre uma receita operacional de R$ 1,34 bilhão.

O bom desempenho da empresa nos últimos anos foi motivado pela forte venda de aparelhos celulares e, mais recentemente, pela comercialização de aparelhos de DVD. Em outubro de 2000, a Gradiente se capitalizou em US$ 415 milhões, quando vendeu para a Nokia os 49% que detinha na NGI Industrial, uma joint venture com a companhia finlandesa. A NGI foi formada em 1997 para produzir telefones móveis com as marcas Gradiente e Nokia para o mercado brasileiro.

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