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25/02/2003 - 03h16

Treinamento mais barato

LAURA KNAPP
free-lance para a Folha de S.Paulo

O ensino a distância vem sendo bastante utilizado dentro de corporações, especialmente em sua versão mais moderna, chamada de e-learning, ou seja, ensino oferecido especificamente pela internet. É um modo rápido e menos custoso de disseminar conhecimento e treinamento aos funcionários.

Como no caso dos cursos acadêmicos, a grande vantagem é que o empregado pode fazer o curso no horário que mais lhe convier (desde que não atrapalhe seu desempenho, claro). Além disso, diz Luciana Biscaia, gerente de autodesenvolvimento do banco HSBC, os cursos de treinamento e aperfeiçoamento estão disponíveis em qualquer computador, nas agências e na matriz, e o funcionário não depende do gerente ou de horário determinado para acessá-los.

Atualmente, o HSBC oferece 14 cursos a seus funcionários. Apesar de alguns serem direcionados a setores específicos, todos eles podem ser acessados por qualquer profissional. O primeiro projeto de e-learning do banco foi feito em setembro de 2000. Era um curso de informática, que foi seguido por 250 funcionários.

Hoje, a instituição oferece a seus 20 mil funcionários 14 temas , que vão de assuntos técnicos, como usar o sistema para abrir uma conta ou fazer um cadastro, passando por explicações sobre produtos, treinamento de habilidade gerencial, informações institucionais para novos funcionários e até um curso estratégico global, ministrado em todas as filiais do banco espalhadas pelo mundo. No Brasil, desde julho de 2002, os funcionários do banco HSBC já completaram mais de 30 mil cursos.

A procura por cursos de treinamento e aperfeiçoamento por empresas tem sido tão grande que a Sucesu (Sociedade dos Usuários de Informática e Telecomunicações) inaugurou um programa de formação de gestores de educação a distância. Em dois dias corridos, durante cerca de 16 horas, os interessados ouvem especialistas e casos de experiências bem-sucedidas a fim de aprender a montar seu próprio curso, segundo Vagner Diniz, diretor-geral de e-learning da Sucesu e diretor do Ideti, empresa que organiza eventos de tecnologia da informação e ensino a distância.

O primeiro programa da Sucesu foi dado em outubro do ano passado, e o próximo está previsto para maio. Reúnem-se, em dois módulos separados, de 60 a 80 pessoas interessadas nos aspectos executivos do ensino a distância, que têm uma visão global dos objetivos da corporação a que pertencem, e cerca de 40 pessoas que querem trabalhar como gestores, mais ligadas, portanto, às áreas operacional e tecnológica.

De acordo com Diniz, o mercado de ensino a distância movimenta, no Brasil, cerca de US$ 20 milhões por ano. Não é muito, se comparado aos que movimenta o setor nos EUA, onde somente o e-learning gira cerca de US$ 20 bilhões por ano.

"Em relação ao Primeiro Mundo, ainda estamos bastante atrasados, principalmente em termos de regulamentação", afirma Diniz. "Mas, em comparação à América Latina, até pelo tamanho do país, fizemos grandes avanços. Na Europa, com tradição acadêmica de séculos, as novas tecnologias também não se alastraram tanto pelo ensino. Como aqui, cursos de e-learning estão mais disseminados no meio corporativo do que no acadêmico, o que, em grande parte, é resultado do retorno financeiro que as empresas conseguem ao adotá-los", diz.

Para a multinacional Siemens, um dos principais benefícios da educação a distância é a redução no custo de transporte dos equipamentos de grande porte e do deslocamento de alunos. A empresa criou o E-lab IP, treinamento destinado a engenheiros, técnicos de suporte e equipe de vendas. Os funcionários aprendem, por exemplo, o funcionamento de roteadores IP (internet protocol), utilizados para administrar o tráfego de dados e voz.

Acessando o E-lab, o funcionário tem acesso aos laboratórios de telecomunicações montados pela multinacional na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e em Itapecerica da Serra. "A idéia do E-lab surgiu da necessidade de treinar equipes nas regionais", afirma João Fábio de Valentin, supervisor de suporte técnico, em comunicado distribuído pela empresa. Cerca de 120 funcionários já fizeram o treinamento de roteadores. Os cursos têm, em média, 40 horas, e são ministrados em cinco dias.

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